Impacto em Berlim

DEU HOJE (17 DE FEVEREIRO) NO JORNAL "O GLOBO"

Kiko Goifman exibe filme sobre chacina na Baixada e choca platéia de Berlim

 Eduardo Souza Lima - O Globo

BERLIM - Nesta quinta-feira à noite foi exibido o último filme brasileiro no Festival de Berlim, "Atos dos homens", de Kiko Goifman, que passou às 20h, na mostra Forum. O documentário, que conta a história da chacina de Nova Iguaçu e Queimados em 2005 deixou a platéia do cinema Arsenal desconcertada.

O cineasta contou que teve a idéia de fazer o filme depois de assistir a "Atos de Deus", de Peter Greenaway, que fala de pessoas que foram atingidas por raios e sobreviveram. A princípio, ele trataria de sobreviventes de três chacinas brasileiras, Carandiru, Vigário Geral e Eldorado dos Carajás. Poucos dias antes da filmagem, porém, aconteceu a tragédia na Baixada Fluminense e obrigou Goifman a mudar o foco do documentário.

O filme foi bastente aplaudido, mas deixou a platéia alemã confusa. Houve quem acreditasse que a culpa do massacre tivesse sido do governo Lula. Goifman explicou que sua intenção era justamente mostrar que este era um problema antigo do Brasil, que grupos de extermínio e esquadrões da morte agiam impunemente há tempos no país. O diretor falou também do medo que ele e sua equipe sentiram durante as filmagens e do seu receio sobre o lançamento do filme no Brasil.



Escrito por Carlos Reichenbach às 14h53
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   Relíquias "socializadas" pelo André Klotzel

O MELHOR FILME DE CLAUDE LELOUCH

 Após concluir um de seus filmes, o cineasta francês Claude Lelouch se deparou com uma fita na qual restavam cerca de 10 minutos, aí então teve a idéia de uma espécie de corrida nas ruas da capital francesa.
  Sem pedir autorização e se valendo da ajuda de certos colaboradores, Lelouch decide rodar o filme numa madrugada de agosto daquele ano, aproveitando assim o pouco trânsito.
  Parte da Porte Dauphine e chega ao alto de Montmartre, o trajeto escolhido um dos mais bonitos da mais bonita das cidades, Avenue Foch, Place de l'Etoile, Champs Elysées, Concorde, Louvre, Opera, Pigalle, Montmartre.
  O carro utilizado é uma Ferrari 275 GTB, do próprio diretor. O filme tem quase 9 minutos, a plena velocidade pelas ruas de Paris, e consta que ao apresentar a público este filme, o diretor foi detido para prestar informações, sobre quem teria andado com o carro. Ele revelou que era um piloto de F-1 da época, mas negou-se a revelar o nome. Posteriormente, investigações da polícia local chegaram a dois nomes, Jacques Laffite e Jacky Ickx.
 Para assistir o curta "C'etait un Rendezvous" (1976), de Lelouch acesse:

http://video.google.com/videoplay?docid=5967384923877111213


O HAPPY HOUR DA MOÇADA

 Onde alguns cineastas e intelectuais brasileiros "conspiram" no final da tarde.



Escrito por Carlos Reichenbach às 13h23
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   revelações

A ARTE DO CINEASTA

SEBASTIÃO MARIA

ÓRBITAS TRIANGULARES

texto de Márcia Reikdal

A arte contemporânea abstrata de Sebastião Maria

 Há 26 anos Sebastião Maria dedica-se à pintura abstrata. Suas primeiras incursões nas artes plásticas tinham na arte figurativa, principalmente imagens eróticas, a exploração da sexualidade, sua beleza e expressões do corpo humano. O tema, quase obsessão em suas produções, ganhou, em 79, a evolução para a abstração, e dotou suas criações de uma poesia geométrica, colocando o triângulo como principal protagonista de suas histórias.

 São centenas de obras em infinitas abordagens de planos e sub planos emotivos, ecos de amor, explosões apaixonadas em que os abstratos femininos e masculinos dançam e sobrevoam fundos cromáticos. Percebe-se as rupturas, o transbordar da energia nas texturas e tramas. O obscuro e a luz em contundentes pinceladas carregadas de matizes vibrantes. Tons de leveza e encontros aveludados, os sexos fêmeos e másculos em choques com a vastidão de ondas. Fluem triângulos que ora se atraem ora se repelem. São scripts de acasalamentos, de rompimentos.

 Os traços dos desejos são colóricos e a obra ganha a densidade da vida nos personagens representados e carregados de ternura, de tesão, do medo, ou da dor.

 Rajadas acrílicas em fecundas imagens fazem parte desse construtivismo geométrico, variações dessa simbologia: Vértice para baixo, a mulher, vértice para cima, o homem. A representação das genitálias ganha lirismo e veemência pictórica nas composições, pintadas, repintadas e despintadas, quando um quadro é escolhido para ganhar camadas de vivência.

 Nesses acordes visuais está a policromia de turbilhões, onde flutuam, voam, correm, dormem e sonham triângulos, referências subjetivas da origem sexual, de um espírito de vida.



Escrito por Carlos Reichenbach às 17h20
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   DIVERSOS

A presença de Radamés

Por Luís Nassif 3/2/2006

(por indicação da jornalista Maria do Rosário Caetano)

 Tudo bem que se comemorem os 250 anos de nascimento de Mozart, patrimônio da humanidade. Mas o descaso com que foi tratado o centenário de nascimento de Radamés Gnatalli é significativo do subdesenvolvimento brasileiro. Não adianta: a um subdesenvolvimento cultural corresponde um econômico.

 Radamés não foi apenas um grande compositor e intérprete. Foi um dos músicos fundamentais da história da música brasileira no século 20. Nascido em 1906 em Porto Alegre, filho de imigrantes italianos, desde cedo impressionou pelo virtuosismo ao piano. Junto com a irmã Aída, gravou peças históricas a quatro mãos.

 Aos 14 anos entrou no Conservatório de Porto Alegre; aos 16 anos, tornou-se pianista do Cine Colombo. Por falta de recursos não seguiu a carreira de concertista. Tivesse seguido, teria sido um dos grandes pianistas do século. Suas gravações de Nazareth são superiores inclusive às de Arthur Moreira Lima – sem nenhum demérito para Arthur.

 Conseguiu algum sucesso no Rio em 1923, mas acabou voltando para Porto Alegre. Em 1929 retornou ao Rio, para uma apresentação com orquestra. Insuflado pelo clima nacionalista trazido pela Revolução de 30, Radamés deu início a uma promissora carreira de compositor erudito da escola nacionalista, com seu "Rapsódio Brasileira".

 A falta de espaço na música clássica acabou por enredá-lo na música popular. Passou a tocar nas orquestras de Romeu Silva – um dos primeiros chefes de orquestra a excursionar pela Europa – e Simon Boutman, maestro judeu legendário, tocando o que aparecesse pela frente, de operetas a bailes de carnaval.

 Nesse período enveredou pelo campo dos arranjos populares. O século terminaria com Radamés sendo reconhecido como o grande arranjador brasileiro, modernizando uma escola de arranjos que tinha em Pixinguinha seu ponto mais alto –mas muito fincado no sotaque dos dobrados.

 Radamés passou a escrever arranjos para o maior cantor brasileiro, Orlando Silva, incorporando definitivamente o sotaque americano na música brasileira, mas sem deixar de lado nossas características,

 Os cassinos abriram campo profissional para Radamés, que passou uma temporada em Lambari, onde conheceu Luciano Perrone, o bateirista que integraria todos seus conjuntos dali para frente.

 Com a inauguração da Rádio Nacional, ficou 13 anos como líder da "Orquestra Brasileira de Radamés Gnatalli", que se apresentava no programa "Um milhão de melodias". Praticamente compunha um arranjo por dia. Esse misto de erudito e popular o fez amado pelos músicos populares, e visto com desconfiança pelos eruditos de casaca.

 Conheci Radamés quando ele já tinha 80 anos. Um dia veio se apresentar na Funarte, em São Paulo. Fomos apanhá-lo na saída. Nem me lembro quem foi o amigo que me apresentou a ele, provavelmente o Pelão, que conheceu todos os deuses do Olimpo. De lá, saímos para comer uma pizza. Eu olhava o mestre e tentava encontrar algum botão no cérebro que permitisse registrar cada segundo da conversa.

 Foi ele quem me informou que o autor da valsa "A Louca" era Chico Neto, palhaço de circo que tocava cavaquinho, e que o arranjo para violão foi de Teodoro Nogueira, paulista que fez carreira no Rio e faleceu poucos anos atrás. Contou também que, ao contrário do que se espalhava no Rio, a primeira esposa de Garoto, o Aníbal Augusto Sardinha –outro dos músicos fundamentais do século--, era uma senhora simples e boa. Problemas terríveis ele enfrentava com a segunda, que queria impedi-lo a todo custo de mandar ajuda para a ex e para o filho. Muitas vezes, Garoto passou dinheiro escondido para Radamés mandar para sua família paulista. Ele e Garoto foram sócios em uma chácara no Rio.

 Radamés revolucionou o choro, incorporou no choro do pós guerra os avanços que aconteciam no jazz. Mas, até então, considerava o choro uma escola pobre, comparada com o jazz. A rigor, respeitava apenas Pixinguinha como músico à altura dos americanos.

 Não sei se mudou de opinião com o tempo, principalmente depois da grande revolução harmônica do pós-guerra, quando o choro se moderniza harmonicamente, e os improvisos se desenvolvem sem perder o elo com a melodia, enquanto o jazz se perdia em estereótipos que tiraram toda sua vitalidade.

 Pouco saiu na mídia. Mas no coração de cada chorão brasileiro se comemorou o centenário de uma das referências musicais do século.


AS FOTOS DE FRANCISCO HEIRA

DA ÚLTIMA SESSÃO DUPLA DO COMODORO

 Na foto, o Comodoro cumprimenta a atriz Lina Agifu (DOIS CÓRREGOS e GAROTAS DO ABC).

 Na foto, o editor deste blog com Matheus Trunk ("Cinéfilos do Terceiro Mundo") e Ana Martinelli.


NOVO CONCEITO EM LOCAÇÃO DE DVD



Escrito por Carlos Reichenbach às 19h41
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