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O Pensamento Luminar de Guilherme Vaz I
Recebi, via e-mail, esta pensata e resolvi republicá-la para a apreciação dos amigos e fiéis do REDUTO. "Socializar" um texto desse naipe é serviço de utilidade pública.
A INDEPENDÊNCIA POLÍTICA DO OBJETO BRASILEIRO
Texto do Maestro Guilherme Vaz (para exposição do artista Samuel Guimarães)
OS HÁBITOS E AS COISAS. AS SOBERANIAS E AS MÃOS. DARWIN E OS OBJETOS. SILEX E ESPADAS. TACAPES E BORDUNAS. AS COROAS PLUMARIAS. O ENSAIO SOBRE A DADIVA. MAUSS. LANÇAS GARFOS E PRATOS. BANCOS MESAS E BASILARES. REFLETIR USAR E COMER. A EXPANSÃO DA MISERIA NO NÃO-OBJETO. OS PERFUMES DOS POVOS. A REMISSAO DO TEMPO PELO OBJETO. A DIÁSPORA DAS SOCIEDADES SEM DESENHO. A SOBERANIA DO HOMO.
Por política entende-se o gosto de ser. As revoltas de Spártacus eram daqueles que não sendo queriam ser. Como muitos hoje não são e querem ser, futilizados pela era dos mercadores. Sonhada desde as vertentes de Ur, território austral do Eufrates. Já lá pequenos agiotas trocavam objetos de culturas distantes sem referir a fonte. Misturavam os seres. Esvaziavam os mitos. Confundiam pessoas e carpinteiros. Muitas sociedades foram esvaziadas e dominadas retirando delas os objetos tradicionais e introduzindo outros, nos quais somente o dominador se reconhecia. A era dos macabeus na Jordânia Ocidental foi um exemplo disso. Não existe soberania sem os objetos tradicionais nos quais as sociedades se reconhecem. Quando os seres não se reconhecem nos objetos que usam tornam-se frágeis. Perdem os seus mitos. Tornam-se domesticáveis - mão de obra barata para projetos imperiais. Os projetos de impérios sabem disto, e a milênios praticam a diáspora dos costumes tradicionais nas sociedades que dominam. As sociedades não são raras porque são pequenas, mas porque são menores que os impérios. A ausencialidade de hábitos produz o objeto-fútil, que produz o homem-fútil. A abdução de objetos adaptados pela prática milenar torna as sociedades errantes - erráticas - e sem pastor mercurial. São massas de anti-homens que vagam. Ilhas destes vagantes já nascem e são já visíveis nas sociedades que flertam com a era dos mercadores - vazias e amíticas como quando nasceu numa obscura casa de adobe com fibras de Ur. Estes pequenos seres com sacolas de moedas aos seus lombos já falavam em trabalho informal para os seus carpinteiros destribalizados. As sociedades de mercadores de hoje transferem objetos austrais para os setentrionais, orientais para os ocidentais, sem selo de origem. Investem nos vagantes e nos sem-mitos. Esvaziam as sociedades. Não existe soberania social quando os seres não se reconhecem nos objetos que inventam. Na prática social, as mãos produzem mais soberania que as idéias, porque o desenho não é uma suposição, mas uma forma do ser, de se mover. Não é uma idéia; é um ente, criado pela forma de os seres se moverem na paisagem do territorio com a sua musculatura singular. Esta musculatura axial no espaço, desenrolando-se a revelia das idéias, antes e depois delas, é a soberania em todas as sociedades.
(Segue)
Escrito por Carlos Reichenbach às 19h38
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O Pensamento Luminar de Guilherme Vaz II
De forma elementar, existem três classes de objetos: os para usar, os para estar e os para refletir. E existem fusões inauditas ao relâmpago entre eles. Existem reflexões que são comestíveis e estares que são de uso explosivo. Os de uso alimentar são fortemente marcantes. Eles também determinam a alimentação adaptada àquela sociedade e paisagem - parte dos mitos essenciais das sociedades. A abdução destes objetos alimentares também provoca a abdução de hábitos alimentares míticos, provocando simultaneamente a ausencialidade de duas grandezas sociais monumentais: a da alimentação tradicional e adaptada e dos objetos sobre o qual a alimentação é sobreposta e a quem pertence a sua liturgia essencial. A soberania da boca e dos talheres é maior que a soberania das idéias abstratas. A tartarugada de natal no amazonas é a soberania do natal tropical. Esta é uma prática comum na era dos mercadores - enfraquecer os hábitos adaptados - para desorientar a liturgia alimentar das sociedades confundindo-as na sua base pétrea - arcaica - os mitos da boca e dos rizomas e mamiferos, adaptados nos desertos e nas selvas milenares. O mesmo se faz com os objetos, os hábitos e a geometria de seus utilitários desenhados a mãos livres guiadas pelo meio, pelas paisagens e pelos materiais próximos do esticar do braço. O esvaziamento dos objetos tradicionais e da alimentação tradicional, substituidos por abstrações todas elas condicionadoras de diatribes orgânicas, é essencial nas técnicas de dominação das sociedades soberanas. A Diáspora dos seus desenhos milenares transforma-as de sociedades cristalizadas em massas de vagantes sem símbolos e sem historia. Já a ponta deste iceberg flutua sobre o Mar do Mundo, nas grandes cidades do Ocidente... E os mercadores continuam a faze-las crescer abstraindo-as de si próprias cada vez mais - e colapsando as grandes cidades com massas pardas de seres amiticos - os destribalizados do espirito, amorfos e randomicos, informes e crispados, os destribalizados dos mitos, da antropometria, da adaptaçao a paisagem. Uma ameaça demencial sobre tudo e sobre todos, provocada pela era dos comerciantes - para os quais as cidades sao feitorias e não domínios sociais. Foi MAUSS quem primeiro escreveu que as relações se inauguram com troca de dádivas. O Ensaio sobre a Dádiva. Quais dádivas podem inaugurar relações? Unicamente as que pertencem às sociedades não dominadas, com desenho e objetos próprios, porque o outro não pode dar o que não lhe pertence - mas a outra sociedade, que não o representa. Não há escambo sem diferença. DARWIN e os objetos. Os mais adaptados ao clima e às fibras são os objetos indígenas pelos 20.000 anos de uso diário. São obras primas de adaptação. As sociedades devem se reconhecer nos seus objetos. Os objetos são escritas das ciências das práticas. Na teoria da evolução, portanto, não são somente os seres inadaptados que desaparecem, mas antes dos seres os objetos inadaptados - como se podem ver aos milhares no lixo das sociedades de consumo dos mercadores. São inúteis. Não se usam duas vezes, porque nada significam ao não ser papel moeda e este precisa se repetir unicamente; e para se repetir tem que não significar - e significados não são descartáveis, além de não existirem dois significados para o mesmo fato. O descartavel não convive com a peça única. A descartabilidade é o não-mítico. O imenso e monumental nada da sociedade global. O transmundo sem mundo. O desenho tropical brasileiro com rizoma na Amazônia é um mundo dentro de outro. Este outro é como o cálculo do volume de uma esfera: não tem fim. Seus números não atingem o início nem a origem. Tampouco se fecham e tampouco se abrem. Pertencem ao conjunto de números que inventaram o universo - o conjunto-gênesis - para citar CANTOR. O não-ser do ser, nem e muito menos o infinito. É mais, porque é ágrafo. Qualquer palavra é superada na emissão. Uma esfera emite relâmpagos livres. Esta exposição de objetos e práticas pertence a uma gigantesca paisagem e às sociedades dos seres que nela vivem. Homens e animais. Alguns animais-homens. Alguns homens-animais. Outros indecifráveis, apenas ventos na floresta. Os seres precisam se reconhecer nas suas invenções e as invenções nos seus seres, porque não há beleza sem soberania, nem soberania sem liberdade. Nesta exposição alguns objetos sublevam a adaptação à transcendência. Participo desde o começo da idéia da criação de um desenho revolucionário no Brasil com o artista Samuel Guimarães e considero esta a sua mais expressiva exposição. Todas estas idéias pertencem ao mesmo levante contra aqueles que produzem o nada e reduzem o mundo ao transmundo e as sociedades aos vagantes; filhos da descartabilidade e do vazio mítico produzido pela era dos mercadores, de seus objetos isentos de tudo - menos de papel moeda. O tudo que é nada . A arte de Samuel Guimarães - e de seus pares - combate os objetos sem sociedades e sem autores. Sem antropologia. Sem origem. Sem nação. Sem tribo. Sem identidade. Sem transcendência. Sem significado. Sem Território. Não se pode esvaziar o mundo e nem as sociedades impunemente. E não é possível imaginar, pensando em escala, que a era dos mercadores não será obrigada a criar novos territórios e que poderá viver somente de feitorias em Sofala, na costa oriental da África. Por isso falamos em soberania política dos objetos brasileiros e brasílicos, bolivianos e peruanos, equatorianos e saharianos. Do Mundo. E de seus Desenhos Essenciais.
Escrito por Carlos Reichenbach às 19h37
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Pesquisa
UMA SOLICITAÇÃO AOS FIÉIS DO REDUTO E AOS FÃS DO CANAL BRASIL
Minha filha, Eleonora Reichenbach, que trabalha no Telecine e está concluindo sua pós-graduação, solicita aos leitores do REDUTO, estudantes e profissionais da área de cinema e televisão - que possuam tv à cabo - que respostam a pesquisa abaixo e enviam a resposta para: eleonora@olhoslivres.com Ela solicita especial atenção para a última questão, referente a opinião sobre o que sentem falta no Canal Brasil.
Pesquisa: Pós Comunicação com o Mercado Tema : Canal Brasil
Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino
Idade ( ) de 18 a 25 anos ( ) de 25 a 35 anos
( ) de 35 a 50 ( ) + de 50 anos
Onde Reside ( ) Rio de Janeiro ( ) São Paulo
Você é assinante de alguma Tv por assinatura? ( ) Sim ( ) Não
Se SIM, qual? ( ) NET ( ) SKY
( ) DIRECTV ( ) TVA
O que você prefere assistir na TV? ( ) Filmes ( ) Novelas
( ) Documentários ( ) Notícias
( ) Clipes ( ) Entrevistas
( ) Fofocas ( ) Outros ________________________
Você assiste a filmes brasileiros? Qual a frequência?
Você conhece o Canal Brasil?
( ) Sim ( ) Não
Com que freqüência você costuma assistir o Canal Brasil?
Qual o programa do canal que você mais gosta?
O que você acha que o canal tem de melhor?
O que você não gosta no canal?
De sua opinião sobre o Canal Brasil?/ Dê alguma sugestão para tornar o canal mais atrativo.
Favor enviar as respostas do questionário acima para:
eleonora@olhoslivres.com
Escrito por Carlos Reichenbach às 14h55
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