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Depoimento e Mais Músicas Socializadas
FALSA LOURA INICIADO O SEGUNDO CORTE - UM DEPOIMENTO

Após um primeiro corte que deixou o filme com 125 minutos, iniciei ontem (sexta-feira, dia 16 de fevereiro), com a montadora Cristina Amaral, o segundo corte de FALSA LOURA. Esse será a chamada "versão de trabalho" e é - talvez - o momento mais "cruel" da finalização. É a etapa em que seqüências inteiras (algumas, que deram um trabalho insano para realizar) podem desaparecer do filme em benefício de seu andamento e ritmo. No caso, já realizamos uma poda drástica na seqüência inicial (a da escola de dança) no desejo de construir melhor a personagem central, reforçando o seu comportamento inquieto, mas nunca vulgar. É impressionante a importância para quem escreve e realiza o filme o momento de enxergar ele por inteiro - à distância de sua feitura - pela primeira vez. Confesso que este filme foi me seduzindo aos poucos. Seu compromisso narrativo me incomodava desde o início da produção. Haviam muitos pontos de contacto com GAROTAS DO ABC, que foi - de longe - meu filme mais mal compreendido. Modéstia às favas, geralmente falam bem de filmes que nem acho os melhores que eu já fiz. Gosto muito de ANJOS DO ARRABALDE e DOIS CÓRREGOS; são filmes bem dirigidos, construídos e emocionantes, mas talvez seja o extremo rigor narrativo deles que me incomode tanto com o tempo. Falta neles um certo "jogo de cintura", um desiquilíbrio inesperado e as imperfeições do risco assumido - que tanto amo nos filmes alheios. FILME DEMÊNCIA, LILIAN M., ALMA CORSÁRIA, IMPÉRIO DO DESEJO e GAROTAS DO ABC, me dão orgulho. São filmes em que me joguei de cabeça no desconhecido, afinal, um dos poucos esportes que pratiquei (bem) na vida foi o salto ornamental. Amo esse filmes mais pelas sua imperfeições assumidas, que pelos acertos ocasionais. Em IMPÉRIO DO DESEJO toquei fogo no casebre do personagem Di Branco e entrei com o ator Orlando Parolini no interior do cenário, munido apenas da câmera e um sun-gun (refletor pequeno e portátil) que era operado pelo meu assistente; filmamos a loucura final do personagem iluminados pelas chamas que ameaçavam nossas cabeças. Saímos na hora H, de dentro do casebre, que desabou dois segundos depois. Acho este um dos planos mais belos que filmei na vida; não sei se teria coragem de reprisar a experiência. Uma lição apreendida após quinze longas metragens: todo filme, por mais bem planejado que seja, tem que estar disponível para o acaso e o achado inesperado. Em FALSA LOURA inventei cenas inteiras durante as filmagens na tentativa de torná-lo menos modelar (como narrativa). Com a noção do todo, após o primeiro corte, ele ganhou as características do "filho" que vai dando orgulho ao pai, conforme cresce. Certo, a mim e à montadora, ficou claro que a história está toda lá, bem construida e amarrada, mas que são os momentos de ruptura, devaneio, delírio e atmosfera pura que tornarão o filme especial; entre eles: a viagem do pai incendiário a São José dos Campos, a seqüência do motel com a interferência das palavras de Sócrates e do noticiário da tv, o show do ídolo Bruno de André, a dança no terraço da fazenda e todo o seu desfecho cruel em câmera ultra lenta.
MÚSICA COMO CINEMA (Bis) 1 DAWN OF YOUR LOVE Herb Ohta http://www.4shared.com/file/10766565/a8589cd/Herb_Ohta_-_Dawn_of_Our_Love.html 2 GARDENS OF MARMARA Herb Ohta http://www.4shared.com/file/10766734/3719970/Herb_Ohta_-_Gardens_of_Marmara.html 3 MEDITERRANEAN (do filme "Master of the Word") Les Baxter http://www.4shared.com/file/10703104/944fb393/Les_Baxter_-_Mediterranean.html 4 LIGHT IN THE PIAZZA (do filme do mesmo nome) Mario Nascimbene http://www.4shared.com/file/10766858/57c135e0/Mario_Nascimbene_-_Light_In_The_Piazza.html
Escrito por Carlos Reichenbach às 21h18
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GEMAS EM MP3 SOCIALIZADAS
RARIDADES MESMO 1 BAR BACARÁ Jorge Ben http://www.4shared.com/file/10768486/ec12e8fd/Jorge_Ben_-_Bar_Bacar.html Disco gravado por ocasião dos primeiros 100.000 discos vendidos de Jorge Benjor (na época, Jorge Ben), no Bar Bacará - Rio de Janeiro. Apesar dos chiados, a gravação é extremamente simpática. 2 JAMAIS TE ESQUECEREI Rinaldo Calheiros http://www.4shared.com/file/10768738/ea18a268/Rinaldo_Calheiros_-_Jamais_te_Esquecerei.html Conforme o célebre médium Arigó, a voz de Rinaldo Calheiros curava pessoas enfermas, "carregadas" e deprimidas. Algumas pessoas escutam esta canção do maestro Rago, uma vez por dia, e afirmam que sentem nitidamente uma diferença (para melhor, claro) em sua vida. 3 VOU BRIGAR COM ELA Mauricy Moura http://www.4shared.com/file/10768603/57254214/Mauricy_Moura_-_Vou_Brigar_Com_Ela.html Moura era o cantor (e o amigo) preferido do compositor Lupcínio Rodrigues, que compos esta música especialmente para a voz dele.
COMENTÁRIO NECESSÁRIO - O 4SHARED é, por enquanto, o melhor "almoxarifado" de arquivos da Web, porque não obriga o usuário "free" (aquele que não assina o pacote "premium") a esperar uma hora para "baixar" outros arquivos.
MAIS UMA RARIDADE DE RINALDO CALHEIROS
Impressionante. Pela data em foi postada e o volume de acessos para download, houve muita gente interessada em conhecer a voz "que curava pessoas", do saudoso Rinaldo Calheiros. Eu o conheci pessoalmente na época em que estava finalizando CORRIDA EM BUSCA DO AMOR. Ele frequentava o mesmo prédio antigo da Avenida Ipiranga, esquina com a Santa Efigênia, onde ficavam vários escritórios de gravadoras independentes (Dick Danello tinha escritório lá). Indaguei a Calheiros sobre a ligação dele com Arigó e o assunto nitidamente o incomodou. Ele não confirmou nem desmentiu. Conforme outras versões, quem espalhou publicamente a história da "voz que curava" foi uma famosa cantora da época, que teria sido curada de um surto psicótico ouvindo os discos de Calheiros. Se é verdade ou não, para mim não importa, eu ouço Calheiros sempre que baixa a depressão. Para mim, pelo menos, a depressão acaba! Segue abaixo a versão de Calheiros para "Blue Star", de Victor Young, tema da série MEDIC, protagonizada por Richard Boone, o primeiro e o mais sério dos seriados de tv sobre medicina.
O TEU ADEUS [BLUE STAR] Rinaldo Calheiros http://www.4shared.com/file/10792779/149e204f/Rinaldo_Calheiros_-_O_Teu_Adeus.html
Escrito por Carlos Reichenbach às 06h36
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Nota de falecimento e exibições raras
MORREU CARLOS COIMBRA, O JOHN STURGES BRASILEIRO
Em menos de uma semana dois importantíssimos homens de cinema de São Paulo desaparecem... Coimbra faleceu aos 79 anos.
Coimbra era, talvez, o nosso maior artesão (no sentido mais nobre do termo); o John Sturges (que eu adoro) brasileiro. Fez filmes de todos os gêneros, mas tinha predileção pelo cangaço. Conhecia a gramática do cinema como poucos e era também um excelente montador. Infelizmente, suas tentativas de produtor não deram certo. Possivelmente porque escolhia o genero errado, na hora errada. Alguns de seus melhores filmes foram produzidos por Oswaldo Massaini (pai): LAMPIÃO, REI DO CANGAÇO e O SANTO MILAGROSO. Para mim, pessoalmente, sua obra mais marcante foi A MORTE COMANDA O CANGAÇO, de 1960, produzida por Aurora Duarte. Excelente profissional e pessoa de ótimo caráter. Nunca vi Coimbra falar mal de nenhum colega ou de filmes alheios. Um cavalheiro à antiga e de comportamento reservado. Dava a impressão de não levar muito à sério - ou valorizar devidamente - a sua função de cineasta. No entanto, em sua notória discrição, sabia organizar e conduzir as equipes mais numerosas das produções de São Paulo. Coimbra foi, sem dúvida, um dos últimos (de São Paulo, certamente o último) profissionais-modelos do cinema de gênero; especialmente, do filme de aventura.
DEPOIMENTO DO PESQUISADOR RODRIGO PEREIRA
"Estou desolado. As duas melhores entrevistas que fiz para meu mestrado sobre western feijoada foram com o Candeias (a quem o trabalho é dedicado) e o Coimbra. Não dá para acreditar que ambos se foram assim, com tão pouco intervalo de tempo. Um representante do cinema experimental, outro do cinema de gênero... Concordo contigo que a obra máxima do Coimbra é A MORTE COMANDA O CANGAÇO (que eu particularmente acho muito melhor que O CANGACEIRO). Dos 4 nordesterns do Coimbra, tenho predileção por aqueles que não tratam de personagens históricos. Acho LAMPIÃO, REI DO CANGAÇO e CORISCO, O DIABO LOIRO filmes corretos, mas de imaginação contida. Em A MORTE COMANDA e CANGACEIROS DE LAMPIÃO, sem compromisso histórico, a imaginação corria solta - ou melhor, galopava (aliás, não é assim com os melhores westerns?). Revejam CANGACEIROS DE LAMPIÃO, uma produção barata p&b, com uma das mais impressionantes cenas de estupro que já vi no subgênero (por sinal, rico em cenas de estupro)."
FILMES RAROS NA BIBLIOTECA PRESTES MAIA
A Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia apresenta a Mostra "Cinco Visões de Nosso Cinema". Exibição de cinco clássicos do cinema brasileiro. Palestras. Debate com o público. Cópias em 16 mm. Todos os sábados do mês de março. Gratuito. Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.
Dia 03/03 - 13:00 hs. O Cangaceiro (idem, BRA, 1953) Palestra de Vinícius Del Fiol
Direção: Lima Barreto Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz Elenco: Alberto Ruschel, Marisa Prado, Milton Ribeiro, Vanja Orico, Adoniran Barbosa.
Duração: 95 min; Preto e Branco; Censura livre ; Aventura
Dia 10/03 - 13:00 hs. Palácio dos anjos (idem, BRA, 1970) Palestra de Andréa Ormond e Eduardo Aguilar.
Direção: Walter Hugo Khouri Roteiro: Walter Hugo Khouri Elenco: Norma Bengell, Joana Fomm, Adriana Prieto, Rossana Ghessa, John Herbert, Geneviève Grad. Duração: 96 min; Colorido; Censura16; Drama
Dia 17/03 - 13:00 hs. Ato de violência (idem, BRA, 1980) Palestra de Marcelo Carrard.
Direção: Eduardo Escorel Roteiro: Eduardo Escorel e Roberto Machado Elenco: Nuno Leal Maia, Selma Egrei, Renato Consorte, Ruthinéa de Moraes, Miriam Mehler. Duração: 112 min; Colorido; Censura 12; Policial
Dia 24/03 - 13:00 hs. A baronesa transviada (idem, BRA, 1957) Palestra de Matheus Trunk, com a presença do montador do filme Mauro Alice
Direção: Watson Macedo Roteiro: Watson Macedo e Chico Anysio Elenco: Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Humberto Catalano, Renato Consorte, Rosa Sandrini. Duração: 110 min; Preto e branco; Censura livre; Drama
Dia 31/03 - 13:00 hs. O Anjo loiro (idem, BRA, 1973) Palestra de Matheus Trunk, com a presença do diretor Alfredo Sternheim.
Direção: Alfredo Sternheim Roteiro: Juan Siringo - baseado no romance de Heinrich Mann Elenco: Vera Fischer, Mário Benvenutti, Célia Helena, Ewerton de Castro, Nuno Leal Maia. Duração: 99 min; Colorido; Censura 12; Drama
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia Av. João Dias, 822 - Santo Amaro Tel.: 5687-0513 Lotação: 150 lugares Evento Gratuito
Escrito por Carlos Reichenbach às 03h12
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Novo Blog
BLOG EM HOMENAGEM A JAIRO FERREIRA

http://cinema-de-invencao.blogspot.com/
Juliano Tosi criou um blog onde está publicando os textos que o falecido crítico Jairo Ferreira, o "inventariante" oficial do cinema marginal, deixou em suas mãos.
JULIANO TOSI informa: Este blogue nasce da vontade de compartilhar estes textos. Talvez algum dia a idéia tome um outro formato (mais nobre?), um livro quem sabe. Mas, como diria o genial Zé Trindade: o negócio é experimentar. E ver no que dá. A única coisa que de fato espero é conseguir manter alguma regularidade nas atualizações.
Escrito por Carlos Reichenbach às 11h20
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Carta Aberta
CARTA ABERTA AO EDITOR DA REVISTA VIRTUAL ZINGÚ
http://www.revistazingu.blogspot.com/
Prezado Matheus Trunk,
acabo de ler a Zingú, que está ótima por sinal (com toda a sua organicidade caótica e deliciosa). Belos textos sobre Carlos Motta (um cavalheiro raro e pessoa de extrema elegãncia ética), do Carrard, do Aguilar (emocionante), do Sérgio, enfim...
No entanto, fiquei muito constrangido com a parte do depoimento do Luiz Gonzaga que se refere ao amigo em comum Jean Garret.
Participei do filme MULHER, MULHER e, sinceramente, não testemunhei nenhum assédio sexual e, muito menos, consumo público de drogas.
Posso ser muito ingênuo, mas eu não vi nada daquilo do que o colega Luis Gonzaga afirmou. Tudo bem, diferenças, desacordos e incompatibilidades todos nós temos com certas pessoas, mas é preciso cautela ao se falar de alguém que não está mais presente para se defender. Nestes momentos, o depoimento - precioso e esclarecedor em algumas partes - descamba para o ressentimento, a caretice e a infâmia.
Mais. Afirmar categoricamente que todos os profissionais que militavam na Boca eram de direita é uma basófia. É certo que havia, em meio à turba que passou pela rua do Triumpho até agentes do DOPS, mas noventa por cento dos profissionais locais não sabia (e nem queria) diferenciar esquerda de direita. A maioria era nitidamente apolítica. Tudo bem, minha cabeça sempre foi outra; minha postura pessoal anarco-libertária sempre esteve mais próxima a João Silvério Trevisan e Jairo Ferreira. Por isso, não consigo enxergar diferenças entre proselitismo de esquerda e proselitismo de direita. Proselitismo é sinônimo de catequese. Deus me livre! O bom da BOCA é que ela (Boca) chegou a ser - em certo momento - um território neutro, onde conviviam todas as diferenças. Nas mesas do Soberano, os ressentimentos eram afogados com rabo-de-galo. O Soberano desapareceu, os ressentimentos parecem ter aflorado do pântano. Isso não é uma constatação pontual, causada pelo depoimento do colega Luiz Gonzaga. Tenho lido e ouvido muita lamentação amargurada de antigos profissionais; até o recém-falecido cine-poeta Candeias, o grande independente, deixou escapar posturas magoadas em algumas de suas últimas entrevistas.
Quero deixar com você o meu depoimento pessoal sobre Jean Garret:
Um autêntico auto-didata, com uma paixão devastadora pela linguagem cinematográfica. Não sabia datilografar um argumento de meia duzia de páginas, mas sabia - como poucos, no Brasil - narrar imagéticamente uma história. Um autor instintivo da mesma estirpe de seus mestres, Mojica e Candeias, mas com uma sensibilidade estética rara; primitiva, às vezes bárbara, mas sempre original. Era, dos nossos "cineastas naifs", o que mais entendia de gramática fílmica. Tenho muito orgulho dos filmes que fiz com ele. Foi um grande companheiro e um profissional meticuloso e ousado. Pragmático sim, mas - pelo menos comigo - sempre um ser humano generoso e fiel (às vezes, com aquela sutileza lusitana, capaz de berrar no ouvido alheio, mas ao mesmo tempo, de presentear os amigos com flores). Vivo dizendo que tanto Jean Garret quanto o produtor Augusto de Cervantes, eram pessoas com quem os técnicos tinham prazer de trabalhar, pelo carinho e zelo com que éramos tratados profissionalmente. Como artista, Garret é um dos meus cineatas favoritos da Boca, ao lado de Mojica Marins, Claudio Cunha, Luis Castillini e Oswaldo de Oliveira. Sem eles ativos atrás das câmeras, concordo, o cinema nacional ficou mais pobre e triste.
No mais, na seara das paixões humanas e suas perversões, sinceramente não acho que revelar os bastidores sáficos das filmagens possa interessar a quem pesquisa o cinema com dedicação missionária, como é o seu caso.
Saiba que leio as entrevistas do Zingú, assim como as do blog ESTRANHO ENCONTRO, sempre com enorme satisfação, pois além do prazer de lembrar amigos e profissionais que respeito, dar boas gargalhadas, me emocionar, sempre aprendo coisas novas.
Grande abraço,
CARLOS REICHENBACH
Escrito por Carlos Reichenbach às 01h31
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