Garotas do ABC e outras gemas musicais

DOWNLOAD PARA TRILHA DE "GAROTAS DO ABC" TROCADO

  O amigo e leitor Dias de Carvalho chamou a atenção nos comentários do post abaixo de que o arquivo postado no Badongo estaria corrompido e ele tem razão.
 Duas músicas (O DESPERTAR e PECADOS DE AMOR) não foram zipadas, sei lá porque.

 Zipei a trilha novamente e já disponibilzei no SENSPACE (um almoxerifado de arquivos que não obriga ninguém a comprar o pacote Premium para baixar outro arquivo em seguida):
http://www.sendspace.com/file/c312pl


MAIS UMA PÉROLA DE NELSON AYRES - FORA DE QUALQUER CATÁLOGO

do filme BENS CONFISCADOS
- esta gravação, onde Nelson Ayres buscou reconstituir o "toque" de Roger Williams ao piano, não foi utilizada no filme porque o próprio Nelson preferiu a inserção do mesmo arranjo solado por Nailor de Azevedo no clarinete, nos créditos inicias do filme. Eu mantive a gravação solada ao piano em meu acervo como uma autêntica relíquia pessoal.

"SONHO E SAUDADE"
Intérprete e arranjo - Nelson Ayres
Autor - Tito Madi
http://www.4shared.com/file/10704201/7bb4c1fc/Nelson_Ayres_-_Sonho_e_Saudade_-.html


PRECIOSIDADE - FREDDY GARDNER
- em homenagem ao meu pai, que faleceu em 1960, e tinha todos os discos 78 e 33 rotações do músico -
FREDDY GARDNER - ORIGINAL RECORDINGS [1939-1950]
- o melhor clarinetista de todos os tempos interpreta, entre outros clássicos, "I´m in the Mood for Love", "Roses of Picardy", "Body and Soul", "Stardust", "Time on my Hands" e "I Only have Eyer for You".
http://www.badongo.com/file/2272869
DICA
 Os leitores que trafegam pelo Orkut e que gostam de boa música deveriam conhecer urgentemente a comunidade MÚSICAS FORA DE CATÁLOGO - MFDC:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3575918
 Lá, através do post "Pedidos do Mes" é possível encontrar as gravações mais raras e obscuras possíveis. Outros posts de visita obrigatória: "Raridades Todo Dia" e "Orquestral e Instrumental".
 Poucas "comunidades" no Orkut podem ostentar realmente o nome de "comunidade".
JORGE BEN - BAR BACARÁ REMASTERIZADO
 O companheiro Anderson Cesarini, de comunidade MÚSICAS FORA DE CATÁLOGO remasterizou a minha gravação original do convite de Jorge Ben para o Bar Bacará, limpando os chiados:
http://www.4shared.com/file/11190906/1bd9a631/Jorge_Ben_-_Bar_Bacar_remaster_2007_Cesarini.html
DVD DE "GAROTAS DO ABC" EM OFERTA NA 2001

 Para o amigo Luiz Ribas fica aqui a dica.

 O DVD do filme está sendo vendido na 2001 por CR$12,90:
http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=12508



Escrito por Carlos Reichenbach às 14h39
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   GAROTAS 01

TRILHA SONORA DO FILME "GAROTAS DO ABC"
- de Nelson Ayres (com a colaboração de Marcos Levy) -

 Os amigos já me pediram diversas vezes para "socializar" a trilha musical de GAROTAS DO ABC. Como nenhuma gravadora se interessou em lançá-la em cd resolvi atender a antiga solicitação. No mais, fui informado que algumas das músicas (como "Pecados de Amor", cantada por Fafá de Belém, por exemplo), foram digitalizadas a partir do DVD e espalhadas pelo Orkut.
 Acho também que seria um extremo egoismo da minha parte guardar à sete chaves este material magnífico, extremamente complexo e sofisticado, em acervo pessoal.
 Da trilha disponibilizada abaixo em MP3 só não constam as músicas cantadas por Zé Ricardo por razões que envolvem a gravadora e editora do cantor.

O AUTOR E ARRANJADOR
NELSON AYRES (São Paulo/SP/14/01/1947) - Maestro, compositor, arranjador e instrumentista paulistano. Foi o primeiro aluno brasileiro da Berklee School of Music e trabalhou com Airton Moreira (em shows e na gravação do disco Free) e com Astrud Gilbert. Ao regressar ao Brasil, fundou a Big Band de Nelson Ayres. Participou de concertos e gravações de discos de Milton Nascimento, Chico Buarque, Dori e Nana Caymmi, Simone, Benny Carter, Dizzie Gillespie, Toots Thielemans e dezenas de outros artistas. Em 1979, gravou seu primeiro disco solo. Fundador do grupo instrumental Pau Brasil, com o qual gravou três discos. Regeu a Orquestra Jazz Sinfônica de SP entre 1991 e 2001. Em novembro de 2002 regeu, em Israel, programa exclusivo de música brasileira à frente da Orquestra Filarmônica de Israel. Fez a trilha sonora de centenas de comerciais. No cinema, atuou nas trilhas de Dois Córregos (em parceria com Ivan Lins), Xangô de Baker Street (parceria com Edu Lobo) e compôs músicas de época para a trilha de A Hora Mágica. Fez, também, trilha para os documentário Anita Garibaldi (Paulo Markum) e Biodiversidade, da produtora GW agraciado com o Prêmio Natura. O maestro Nelson Ayres diz que a trilha de Dois Córregos é muito elaborada, mas ele vem constatando que a trilha de Garotas do ABC vem chamando mais atenção. Ele acredita que isso aconteça por causa do " imenso ecletismo " adotado no filme de Reichenbach. Trata-se de "uma trilha" - detalha - "que vai do erudito sinfônico, passando pelo chorinho, pela black music e desaguando num bolero descalabelado, interpretado com paixão por Solange (Fafá de Belém)". Para compor as músicas atribuídas a Sam Ray, organista de black music, êmulo de Marvin Gaye, Nelson Ayres somou forças com o compositor Levy.
 
MARVIN GAYE
 Durante dois anos, eu e a produtora executiva Maria Ionescu, tentamos conseguir os diretos autorais e de inserção no filme, de duas músicas americanas de Marvin Gaye, o verdadeiro ídolo das operárias negras do ABC paulista. Com as negativas constantes das editoras e gravadoras americanas, resolvi inventar o "meu" Marvin Gaye. À partir de uma reportagem da revista inglesa Future Music à respeito do recente culto europeu aos orgãos Hammomnd, tão populares na década de 60, tive a idéia de solicitar ao maestro Nelson Ayres, responsável pela trilha sonora, que "inventasse" Sam Ray (homenagem explícita aos cineastas Samuel Fuller e Nicholas Ray). O fato de Sam Ray ser o gênio dos orgãos Hammond eliminava o problema mais complicado para "criação do ídolo": a letra em inglês...
 Nelson Ayres convidou um dos mais ativos arranjadores da música soul no Brasil, Marcos Levy, exímio tecladista, e, em parceria, eles compuseram três músicas para Sam Ray: "O Despertar", "Disco Novo" e "Strip-Tease".

SAM RAY
 A face de Sam Ray, o ídolo de Aurélia (personagem central de GAROTAS DO ABC), papa da música soul e dos orgãos Hammond, mostrada em posters no filme, é - na verdade - de Rui Pires, diretor de produção do filme GAROTAS DO ABC.

FALSA LOURA
 No filme FALSA LOURA a parceria de Nelson Ayres e Marcos Levy se consolida e ambos assinam juntos a sofisticada trilha sonora que vai de temas que evocam as orquestras de Les Baxter, Martin Denny e Jackie Gleason, ao soul, ao reggae, a lambada, a música clássica barrôca, a música celta, as canções românticas de Roberto Carlos e até ao rock mais radical e pulsante. FALSA LOURA conta também com as vozes e as performances de Maurício Mattar, Cauã Reymond e a banda TRUPE.

MÉTODO DE TRABALHO
 Em FALSA LOURA utilizamos o mesmo método de trabalho de GAROTAS DO ABC. Cinquenta por cento da trilha foi composta e pré-arranjada com antecedência, antes das filmagens, já que tenho por hábito rodar com play-back musical. Em pelo menos quarenta por cento da trilha restante, uso músicas de outros compositores e intérpretes já gravadas como referência na filmagem e na montagem. Sobre este material o autor (ou autores da trilha) irão trabalhar posteriormente, tentando seguir o andamento, o ritmo e a atmosfera da música proposta. Com MANOEL PAIVA e LUIZ CHAGAS ("Anjos do Arrabalde" e "Filme Demência"), IVAN LINS ("Dois Córregos" e "Bens Confiscados) e com NELSON AYRES o método sempre deu certo.
 Em ALMA CORSÁRIA fiz uma experiência diferente, mas bastante estimulante: compus, arranjei e executei toda a trilha musical com antecedência dentro do meu próprio quarto, no meu set-up de sintetizadores e módulos trimbrísticos. Duas semanas antes das filmagens, me enfurmei num estúdio de som profissional e complementei a trilha com efeitos sonoros e mixei tudo em Dolby Stereo.
 Amigos me perguntam porque não repito a experiência da autoria total e eu sempre respondo que cada filme exige uma parceria (ou solo) diferente. Infelizmente, a morte precoce de Manoel Paiva interrompeu uma estimulante cumplicidade. Nos filmes que privilegiam relações afetivas e de narrativa mais impressionista, não tenho a menor a dúvida que a contribuição de Ivan Lins é sublime e única. Em outros, onde o desafio está na assumida linha heterodoxa do diálogo entre música e imagem, da confluência de estilos que podem ir do clássico mais complexo ao brega mais rasteiro, a cumplicidade com Nelson Ayres (e Marcos Levy) é insubstituível.



Escrito por Carlos Reichenbach às 13h49
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   GAROTAS 02

"GAROTAS DO ABC" - TRILHA SONORA (faixa a faixa)


01
O DESPERTAR - de Nelson Ayres e Marcos Levy
- tema para abertura do filme com o "strip-tease às avessas" de Aurélia -
02
GAROTAS DO ABC - de Nelson Ayres
acordeon - Toninho Ferragutti
- tema composto por Ayres para a saída das operárias da Tecelagem Mazini -
03
CHORO DO ADEUS [Os Teares) - de Nelson Ayres
acordeon - Toninho Ferragutti
- tema melancólico para o trabalho rotineiro nos teares -
04
STRIP-TEASE - de Marcos Levy
- tema evocando o som e o ritmo de Marvin Gaye, ídolo de Aurélia -
05
DISCO NOVO - de Nelson Ayres e Marcos Levy
- mais um tema evocando o "soul" de Marvin Gaye -
06
ASFALTO - de Nelson Ayres
- tema para Aurélia caminhando de madrugada na marginal -
- música usada na filmagem como referência: "Passion", com Hellecasters -
07
EVA TROL - de Carlos Reichenbach
com TNT5 - grupo criado especialmente para animar o baile do Clube Democrático
08
CATARINA - de Carlos Reichenbach
com TNT5 - grupo criado especialmente para animar o baile do Clube Democrático
- observação: estas duas últimas músicas fazem parte do material excedente composto para ALMA CORSÁRIA. Nelson Ayres fez arranjos específicos para o quinteto inventado -
09
PECADOS DE AMOR - de Nelson Ayres
intérprete - Fafá de Belém
- "bolerão rasgado" composto por Ayres especialmente para Solange, a personagem interpretada por Fafá de Belém -
10
CICATRIZES - de Nelson Ayres
- tema para a fantasia da personagem Suzana com o patrão -
- música usada na filmagem como referência: "A White Shade of Pale", com Procol Harum (no corte final, consideramos que a seqüência exigia uma austeridade maior e substituimos Procol Harum por um tema de Bach - Ayres compôs o tema sobre esta referência "cabeluda") -
11
MOTORCICLETAS - excerto de "Rienzi", de Richard Wagner
arranjo orquestral - Nelson Ayres e Alexandre Guerra
- tema para o "féretro" de motorcicletas na ida do grupo de Salesiano para o Clube Democrático -
12
MORRER VÁRIAS VEZES - de Nelson Ayres
- tema para discurso "spengleriano" de Salesiano e o suicídio de Fábio no mar -
- música usada na filmagem, como referência: "Crucified Woman", de/com Riz Ortolani (do filme "Cannibal Hollocaust") -

LINK PARA DOWNLOAD
http://www.sendspace.com/file/c312pl



Escrito por Carlos Reichenbach às 13h46
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   Acasos

ALGUNS (A)CASOS INSÓLITOS


1.
 Houve uma época, quando exercia uma profissão que detestava, que eu frequentava restaurantes caros. Não porque ganhasse rios de dinheiro, mas porque vivia com quatro cartões de crédito na carteira e um saldo razoável em dois bancos. O Patachou, que ficava na rua Augusta, em frente ao extinto teatro Record, não era propriamente um restaurante Vip, mas preparava um prato fantástico que eu - e as duas mulheres que mais amei na vida - adorávamos: o camarão à Newboug. Por causa dos preços e de sua austeridade, o Patachou vivia vazio, o que era ótimo para quem buscava se isolar do mundo com a pessoa amada e ainda se alimentar com galhardia.
 Nos idos dos anos 70, já em fase de abandonar o ramo odiado para mergulhar de cabeça nas incertezas de uma profissão aventureira, decidi voltar ao Patachou com a minha mulher para degustar o prato que hoje me é proibido (não porque já não possuo os mesmos cartões de crédito, mas por sofrer de "gota", o que hoje me interdita todas as iguarias do mar). Estávamos lá no restaurante às moscas quando irrompem no recinto dois casais notórios: Lucinha & Ivan Lins e Raul Seixas e sua mulher. Os cantores já famosos pareciam desfrutar de uma amizade de vários anos. Tinham acabado de sair do encerramento de um dos famosos festivais de música promovidos pela TV Record.
 O tempo passou, o Patachou desapareceu e eu vim a me tornar amigo pessoal de Ivan Lins por causa de sua cumplicidade em DOIS CÓRREGOS e BENS CONFISCADOS. Em um dos nossos primeiros contatos contei a ele que, quase tres décadas antes, eu frequentava o mesmo restaurante onde ele jantava com Raul Seixas. Ivan olhou para mim espantado e disse: "Você não vai acreditar, aquele jantar foi o meu único contato pessoal com o Raul durante a vida toda. Saímos do Teatro Record de mãos abanando e resolvemos tomar um vinho para festejar o duplo mico.".
2.
 Meu tio, Rodolfo Beicht, foi o primeiro diretor brasileiro da multinacional Philips. Ele morava, com a família e meu primo Ronaldo, na rua Ronald de Carvalho, em Copacabana, Rio de Janeiro. Após a morte de meu pai, em 1960, eu passei oito natais e reveillons na companhia deles, já que minha mãe não suportava enfrentar as solenidades, sozinha com o filho, em São Paulo.
 Eu tinha dezessete anos, era tecladista de um conjunto amador chamado TNT-4, e meu tio achava que eu era um expert em música. A Philips, na época, engatinhava suas atividades na produção de discos. Num destes finais de ano cariocas, tio Rodolfo me chamou na sala e disse: "Tem um cantor desconhecido lá de Niterói, que me mandaram escutar para ver se a Philips contrata ou não para gravar. O garoto tem um estilo interessante, mas ele fala errado, sei lá porque... De uma escutada e diga o que você acha, com sinceridade...".
 Meu primo Ronaldo colocou a fita num dos primeiros gravadores de tape surgidos no Brasil e lá fomos nós avaliar o tal "garoto de Niterói". No começo da fita-demo uma batida de violão personalíssima chamou a atenção. De repente, surge o "menino" cantando: "Por causa de voxê, bate no meu peito...". Meu tio olhou a minha expressão. "Isso não é erro tio, é bossa!". Meu tio deu risada: "Está mais para bosta!".
 Sei lá se a opinião ultra favorável que eu e Ronaldo expressamos influenciou a decisão de Tio Rodolfo, mas no dia seguinte o "garoto de Niterói" foi contratado.
 O sucesso foi imediato e meu tio se convenceu para sempre - no que se enganou fragorosamente - que meu ramo profissional seria a produção musical.
 De qualquer forma, como compensação, meu tio me presenteou com um dos pouquíssimos compactos prensados às pressas para o coquetel dos primeiros 100.000 discos vendidos de Jorge Benjor (na época, Ben); que, por sinal, fiz questão de "socializar" recentemente com os amigos e fiéis do REDUTO (com chiado e tudo).



Escrito por Carlos Reichenbach às 00h58
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   Desabafo de um neófito.

DESELEGÂNCIA E INGRATIDÃO NO CARNAVAL

 Quem acompanha o REDUTO sabe que carnaval nunca foi assunto da minha alçada. Passei os últimos quatro dias trabalhando no segundo corte de FALSA LOURA, desenvolvendo os primeiros passos de um roteiro para série de tv e, nos momentos de ócio, ouvindo alguns discos fundamentais de Francisco Alves, Mário Reis e Jacob do Bandolim (a obsessão atual do meu filho caçula e músico).
 Vi trechos do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro de raspão, enquanto escrevia no computador, e nos zappings que minha mulher fazia pela tv a cabo.
 É inacreditável, mas a única coisa que me tirou da escrevaninha (e do sério) para ver a tv foi a declaração de um bã-bã-bã da Mangueira juntificando a baixaria que foi feita com a cantora Beth Carvalho: "A Beth Carvalho que me desculpe, mas a Mangueira é muito grande...".
 Ah, é ?!? Então que ela fique bem pequenininha e caia para a segunda divisão (sei lá se expressão é essa!).
 Como continuo neófito no assunto carnaval reproduzo abaixo (sob o efeito da perplexidade) o depoimento do expert Mauro Dias (esse cara entende mesmo de samba e MPB) para o ALMANAKITO, da jornalista Maria do Rosário Caetano.

- Reprodução do depoimento de Mauro Dias, para o Almanakito, da jornalista Maria do Rosário Caetano -

 "Vamos lembrar que a Beth Carvalho foi um fenômeno industrial, até os anos 90. Conseguiu a façanha de ser importante tanto para o comércio de discos quanto para a cultura. Escarafunchava a obra de autores desconhecidos e trazia aos nossos ouvidos pérolas que por outras vozes não ouviríamos. Bem ou mal, muitos autores "descobertos" pela Beth (que exagera um pouco na coisa de "madrinha" ou de "descobridora", mas isso é mal menor) seguiram vida, conseguindo manter-se com a obra, depois de uma gravação dela.
    A coisa é muito sabida e não vou me alongar. Os anos 1990 baniram o bom samba e puseram no lugar os crioulos de mercado (expressão politicamente incorreta do Jabor), os mico-leões dourados do samba duro (expressão do grande Chico Batera, que toca com Wilson das Neves, crioulo não-de-mercado, na banda de Chico Buarque; é que os caras todos descolorem as carapinhas, talvez para obter proteção de minoria da mamãe indústria). Os "pagodeiros", bem visto. Aspas, eu as detesto. Mas às vezes preciso delas.
    A Beth foi uma das substituídas. Como quase todos os que mantiveram a dignidade de postura, à excessão notável de Zeca Pagodinho. Que, aliás, é um dos apadrinhados de Beth. Foi dela a primeira gravação de samba dele. Mas bem. A Beth saiu dos holofotes industriais, ficou sem gravadora, lançou disco independente para venda em banca de jornal e por aí. Seu preço de mercado foi lá pra baixo. Não que esteja passando por dificuldades financeiras. Pelo contrário. Faz shows o ano inteiro, no País inteiro, cachê caro, nem dá conta das solicitações. Mas aparece pouco.
    Daí a história da Mangueira nesse triste carnaval. Isso a gente sabe. O que nem todo mundo sabe é que desde os anos 80, a Mangueira implorava a Beth que saísse como destaque, como patrimônio, como personalidade, lá em cima, bem na linha das câmaras. E ela sempre fez questão de sair no chão, sambando, com sua turma. O tempo passa, Beth engordou, tem problema na coluna e há meses pediu para, neste ano, desfilar num carro. Só que agora ela não interessa mais.
    Eu já havia deixado de ser mangueirense quando expulsaram a Velha Guarda (expressão criada por Paulinho da Viola, nos anos  70, quando juntou em estúdio os velhos compositores da Portela para fazer um disco de demonstração que seria entregue a cantores e acabou sendo o primeiro disco da Velha Guarda - inventou-se naquele momento a expressão para designar os baluarte - da Portela).
    Agora estou com muita raiva da mangueira. E não uso mais letra maiúscula para falar dessa árvore definhante."



Escrito por Carlos Reichenbach às 12h27
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   Não perca!

EM FEVEREIRO E MARÇO:
DOIS CLÁSSICOS MODERNOS DO CINEMA JAPONÊS
NO ESPAÇO CULTURAL DA FUNDAÇÃO JAPÃO

 Cartaz de SEGREDO DE UMA ESPOSA, de Shojei Imamura.

 As exibições são gratuitas, com lotação máxima de 100 lugares por sessão, por ordem de chegada. Todos os filmes têm legendas em português.

CASTELO DE AREIA
Castelo de Areia (Suna no Utsuwa) 1974, 143min
27/02 (terça) às 19:30
01/03 (quinta) às 15:00
Direção: Yoshitaro Nomura
Elenco: Tetsuro Tamba, Go Kato, Kensaku Morita, Yôko Shimada, Karin Yamaguchi, Ken Ogata , Seiji Matsuyama, Yoshi Kato , Chishu Ryu, Shin Saburi

Filme baseado na obra policial de Seicho Matsumoto, um expert no tema. Vencedor do Prêmio de Júri no Festival de Filme Internacional de Moscou (1975). O destino da investigação obsessiva de dois policiais sobre um misterioso assassinato, que se cruza com o passado obscuro de um famoso músico.

SEGREDO DE UMA ESPOSA
Desejo Profano - o título do filme, no lançamento brasileiro, era "Segredo de Uma Esposa" (Akai Satsui) 1964, 150min
13/03 (terça) às 19:30
15/03 (quinta) às 15:00
Direção: Shohei Imamura
Elenco: Masumi Harukawa, Ko Nishimura, Shigeru Tsuyuguchi, Kusunoki Yuko, Akagi Ranko

 Um dos mais representativos filmes de Imamura. Desvenda a verdade escondida por trás de uma pacata dona de casa, que enfrenta a grosseria de um marido infiel e as investidas de um estuprador, que se diz apaixonado por ela.

Serviço
SEMPRE CINEMA! – de 30/01 a 15/03/07
Local: Espaço Cultural – Fundação Japão em São Paulo
Av. Paulista, 37 – 1º andar
Lotação máxima: 100 lugares
Acesso para portadores de necessidades especiais
Filmes com legendas em português
Entrada gratuita (não é necessário confirmar presença)
Informações: (11) 3141-0110 /
info@fjsp.org.br



Escrito por Carlos Reichenbach às 21h22
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   Socialização de Trilha

EXCLUSIVO DO REDUTO

 Em homenagem a Toni Ricardo (aqui, numa cena de CORRIDA EM BUSCA DO AMOR).

  Um amigo me cobrou "socializar" algumas das músicas, gravadas especialmente para alguns de meus filmes mais antigos e nunca lançadas em disco. Algumas destas gravações foram digitalizadas a partir de um Nagra (o gravador de fita que foi utilizado por décadas em cinema) e posteriormente processadas no Sound Forge para stereo. A gravação de Toni Ricardo, para CORRIDA EM BUSCA DO AMOR, foi feita em 1970 em um estúdio improvisado e disponibilizei ela aqui para matar a saudade de um bom amigo que não vejo a mais de trinta anos.

  O músico e jornalista Luiz Chagas (formado em cinema pela FAAP e ex-gritarrista do grupo Isca de Polícia, que acompanhava Itamar Assumpção) compôs um chorinho para uma das cenas-chave de FILME DEMÊNCIA. A trilha musical de Chagas e do saudoso cineasta e pianista Manoel Paiva foi premiada no Rio-Cine.

 O maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo faz uma participação especialíssima em ALMA CORSÁRIA, executando com extrema beleza "Clair de Lune", de Claude Debussy. A gravação da música foi feita - in loco - pelo pioneiro do som direto digital no Brasil, o Gafanhoto (Luciano Segni).

 O maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo interpreta Debussy no interior de uma pastelaria, em ALMA CORSÁRIA.

do filme ALMA CORSÁRIA
Joaquim Paulo do Espírito Santo - Clair de Lune (de Claude Debussy)
http://www.4shared.com/file/10867054/198efdc3/Joaquim_Paulo_do_Espirito_Santo_-_Clair_de_Lune.html

do filme ALMA CORSÁRIA
Carlos Reichenbach - Sonhos de Vida (de Carlos Reichenbach)
http://www.4shared.com/file/10867224/554bbf6a/Carlos_Reichenbach_-_Sonhos_de_Vida.html

do filme CORRIDA EM BUSCA DO AMOR
Toni Ricardo - Leila (de Toni Ricardo)
http://www.4shared.com/file/10867327/cd8084e7/Toni_Ricardo_-_Leila.html

do filme FILME DEMÊNCIA
Luiz Chagas & Manoel Paiva - Vila Matilde (de Luiz Chagas)
http://www.4shared.com/file/10884121/8ae2e433/Luiz_Chagas__Manoel_Paiva_-_Vila_Matilde.html


E MAIS UMA PÉROLA RARA DA MPB
Francisco Alves - Forasteiro 1949
http://www.4shared.com/file/10866225/9af0e899/Francisco_Alves_-_Forasteiro_1949.html



Escrito por Carlos Reichenbach às 12h08
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