Colunismo Social e Lição de Casa

PRÊMIO JAIRO FERREIRA - APÓS O CINESESC

fotos coloridas (!) de Marcelo Miranda e Eduardo Valente

foto preto e branco de Alfred Stinn

 O editor do blog (Kropotkin), os olhos de Renata Gomes (Cinética), Daniel "El" Caetano (Contracampo), Marcus Mello (Teorema), Eduardo Valente e Carla Böhler (Cinética).

 Cleber Eduardo (Cinética), Fernando Watanabe (Cinequanon) e, sentados à frente, Cristina Amaral e o premiado da noite, Andrea Tonacci.

 Ruy Gardnier, Anahi Borges, Gilberto Silva Jr, Fábio Yamaji e César Zamberlan. Contracampo frente a frente a Cinequanon. Juro que tentei melhorar os olhos vermelhos do Conde Gardnier.

 Filipe Furtado e Chiko Guarnieri (ao fundo, o garção Bernardet).

 Os machões da PAISÁ (Sérgio Alpendre e Guilherme Martins). Isso, porque os leitores não viram a outra foto.

 

 Em primeiro plano, o poderoso Marcelo Miranda.

 Eduardo Valente e Lila Foster (Cinética) não estão cortando o bolo, mas tentando pagar a conta.

 Veronica Krimann e Jairo Ferreira (Metacinema), em espírito, na festa.

 VIDA LONGA AO PRÊMIO JAIRO FERREIRA! Ou, como diria o próprio: PRÓSTATA!. Como poucos vão entender a piada (e podem até levar a mal), que conste dos autos: em alemão, o tradicional brinde é "Prost!".

PROST! EM 50 LÍNGUAS
Albanês: Gëzuar!
Árabe: Shereve!
Armênio: Genatsoot!
Baluchi (Irã): Vashi!
Basco: Osasuna!
Bretão: Iermat!
Búlgaro: Na zdrave!
Chinês: Gom bui! (Cantonês), Gan bei! (Mandarim)
Dinamarquês: Skål!
Englisch: Cheers!
Estoniano: Terviseks!
Espanhol: Salud!
Filipino: Mabuhay!
Finlandês: Kippis!
Francês: Santé!
Gaulês (Irland, Schottland): Sláinte!
Georgiano: Vakhtanguri!
Grego: Jámas!
Groelandês: Kasugta!
Havaiano: Mahalu!
Hebraico: Le'chájim!
Hindi (India): Mubarik!
Holandês: Proost!, Op uw gezonheid!
Húngaro: Egészségére!
Indonesiano, Malaio: Selamat minum!
Islandês: Skål!
Italiano: Salute!
Japonês: Kanpai!
Judaico: Mazel tov!
Catalão: Salut!
Letoniano: Uz veselibu!
Libanes: Kesak!
Lituanês: I sueikata!
Maltês: Sacha! Aviva!
Nigeriano: Mogba!
Norueguês: Skål!
Persa: Salam ati!
Polonês: (Na) zdrowie!
Português: Saúde! (Galizisch), Tim-tim! (Brasilien)
Rätoromanisch: Viva!
Rumeno: Noroc!
Russo: Vashe zdorovie!
Sueco: Skål!
Sérvio: ´ivjeli!
Somaliano: Auguryo!
Thailandes: Chokdee!
Theco: Na zdraví!
Turco: Serefe!
Urdu (Paquistão): Djam!
Walisisch: Iechyd da!



Escrito por Carlos Reichenbach às 00h38
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   Devora-me

NOSSOS POETAS MAIORES

TARDE OCULTA NO TEMPO
Andarilho sem destino reparou então
que seus sapatos tinham a poeira diferente
de todas as pátrias pitorescas;
e que seus olhos conservavam as noites e os dias
dos climas mais vários do universo;
e que suas mãos se agitaram em adeuses
a milhares de cais sem saudades e amigos;
e que todo o seu corpo tinha conhecido
as mil mulheres que Salomão deixou.
E o andarilho sem destino viu
que não conhecia a Tarde que está oculta no tempo
sem paisagens terrenas, sem turismos, sem povos,
mas com a vastidão infinita onde os horizontes
são as nuvens que fogem.
(Jorge de Lima)

CHORO DO POETA ATUAL
Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarram umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Uma nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego.
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.
(Murilo Mendes )

MÊS ASSASSINO
Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
(Mário Faustino)



Escrito por Carlos Reichenbach às 21h17
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   Novo Cineclube, Esclarecimento e Desabafo

 KINOCAP HOMENAGEIA DANIÈLE HUILLET

 O departamento de Artes Plásticas da USP estréia seu Cineclube essa sexta-feira (16/3) totalmente de graça. A sessão é dupla e será realizada no prédio CAP na sala C8. Organizado pela Janaína M. Navarro e o Sr Bernardo.
 O primeiro filme "Oh! Soo-Jung" (Coréia do Sul, 2000) tem direção de Sang-Soo Hong e filmado em preto-e-branco. Uma história de amor tem sempre dois pontos de vista. O mais curioso deste inovador filme é que confrontamos com as duas perspectivas de um triângulo amoroso. Primeiro a versão do homem apaixonado que tenta ir para a cama com a sua amada. Depois a versão da garota, que tudo faz para manter a sua virgindade até encontrar o amor da sua vida. Uma irônia sútil num dos grandes sucessos do cinema coreano.
 O segundo filme "Visita ao Louvre" (França, Alemanha, Itália, 2004) vem como homenagem à Danièle Huillet, um dos nomes mais obscuros e uma das diretoras mais geniais do cinema mundial, que faleceu ano passado, junto ao seu parceiro Jean-Marie Straub. Além da menção à diretora ainda é uma referência ao departamento que proporciona essa exibição. Trata-se de uma "ponte" de ligação entre os quadros e o cinema, movimentos de câmeras não existem no filme criando quadros cinematográficos em um museu.

Quando: Sexta-feira 16 de Março às 13H
Quanto: Grátis
Onde: USP, edifício CAP sala C8


PARA ENTENDER O QUE É O FUNCINE

 O link abaixo foi postado para atender a pergunta do Horácio V. Camposanto, fiél do REDUTO:
http://www.culturaemercado.com.br/setor.php?setor=4&pid=2584


CARTAS DE VAZ, GUILHERME
 O maestro, compositor, experimentador e pensador Guilherme Vaz, cada dia mais próximo de seu mestre e mentor John Cage, escolheu este espaço para propor e lançar uma "invenção" necessária,  "bárbara e nossa".
 Roberto Piva, Jairo Ferreira e Wilson Sukorski teriam nominado esta invenção de "Bomba Tarada", mas o gentil Guilherme a batizou de forma mais sublime "Bomba Erótica", já que sua "estratégia" - se é que entendi plenamente o conceito - privilegia todas as forma de amor, incluindo - sobretudo - o amor ágape.
 Segue a carta enviada para a apreciação e reflexão dos amigos e fiéis.


Escrito por Carlos Reichenbach às 10h26
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   de Guilherme Vaz para Carlos Reichenbach

Caro Bach,

estive refletindo em extensão sobre esta demencial onda jamais vista antes em todo o mundo de armas atômicas e andei mesmo lendo MAUSS, meu "antropométrico preferido" [O Ensaio sobre a Dádiva]. Considero MAUSS uma "superpalavra". Nele vi que os antigos vikings tinham na sua epopéia básica de que o mundo tal como conhecemos "ia ser ameaçado pelo fogo". Fiquei suspenso com o paralelismo de outras míticas e mesmo com as cartas dos século I e II, escritas pelos seus videntes. Pequenas pessoas, verdadeiros "gatos-de-madame" [como dizia o Oswald] e anões intelectuais de toda a espécie, destes que grassam aos magotes na globalização, pensam que podem ter uma arma atômica como alguém teria um vidro de desodorante "Avanço" no armário do banheiro. Já terminei um namoro drasticamente - os detalhes são imensos - por causa deste desodorante ímpar; é o antiperfume afinal conseguido. Países são capazes de não assinarem acordos. Famílias se separam. Um amigo meu perdeu o emprego. È para mais de metro a coisa. Mas a arma atômica acredito que é ligeiramente mais perigosa. E parece que nesta época demêncial virou "um objeto de desejo"; vejo o dia que estes yuppes da globalização possam anunciá-la num display fassion de um shopping, toda embalada em aço inoxidável com um lacinho vermelho em cima escrito: "be carrefull delicate content "!. É a cara do mundo atual, sem Bergman e com muito vídeo tape. Mulheres de plástico e homens vazios, de cabelos pintados em wellaton verde com detalhes em "acaju".Personalidades "blockbuster", o fim de uma espécie. Seus predadores juntam-se como tubarões em cardumes de sardinhas. Os filhos então conseguem ser mais boçais que os pais; peidam por todos os lados, berram por dinheiro e se enchem de fast food, criando uma nova categoria de seres ainda não vista antes pela sociologia: os "infanto-boçais". Novidades sociológicas. Pensando nisso e nessa era imaginei qual seria a nossa resposta a isso, nós do hemisfério sul. Primeiro, é claro que devemos declarar na condição de BOÇAL-MOR todos aqueles que correm atrás de armas atômicas para estarem "inn", numa espécie de revista "FACES" da globalização. Segundo, imaginar tecnicamente qual a solução de engenharia real capaz de fazer frente às armas atômicas; nós todos do hemisfério sul, todos, mas partindo particularmente daqui. Neste sentido e me dobrando sobre profundos estudos que partem da Física, dos conceitos expostos por Freud no extraordinário livro "O Mal Estar na Civilização" - LIVRO FUNDAMENTAL - dos filósofos pre-socráticos, da Teologia de Tomás de Aquino et alii, e dos conceitos fundamentais de MAUSS tal como expostos no "Ensaio sobre a Dádiva", especialmente na sua conclusão. Dando uma passada de vista, apenas para me reciclar, na teoria fundamental da arma atômica resolvi então propor a "teoria-de-resposta". E ela é tecnicamente simples, é somente inverter os termos da equação física, coisa de pouca importância - pura rotina - e então teremos inventado a grande resposta às armas atômicas: "A BOMBA ERÓTICA". Uma invenção tipicamente nossa em todos os sentidos. Tem esta vantagem sociológica. Como o efeito técnico da arma atômica é "fragmentar", e por isso vivemos numa época "fragmentária", o efeito da BOMBA ERÓTICA seria exatamente o contrário: "AGLUTINAR ". No momento da sua reação na atmosfera todos os instintos aglutinantes dos seres seriam levados à potência máxima: a fraternidade, a divisão do alimento, o compartilhar o espaço, a gratuidade das vestimentas, a hospitalidade crítica e aberta, as "desdiferenças", a solidariedade, o respeito pelos grandes videntes e artistas que colaboraram para o aumento de visão da humanidade, a dedicação ao outro e não só a si mesmo, a compaixão, o desapego, o "amarsorrindo", além daquelas outras que não vamos citar aqui pois a sua lista preenche a fundação do MUNDO. Estou portanto - historicamente - lançando a TEORIA, a TÉCNICA e a IDÉIA da BOMBA ERÓTICA, pela primeira vez, no seu Blog. E creio que pela primeira vez no MUNDO. Não me lembro de ter lido nada a respeito antes. É UMA INVENÇÃO NOSSA e aqui fica registrada a sua primeira publicação.


guilherme vaz ////
 
[para o bach _ publicação de invenção brasileira ]
*guilherme vaz*artist*vocatus et non vocatus sinenomine adherit*



Escrito por Carlos Reichenbach às 10h22
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   Em Processo - Again

AINDA SOBRE A AVENTURA DA MONTAGEM

 Bruno de André e Deive Rose, na seqüência que retornou ao filme FALSA LOURA, após o terceiro corte.

01. SEM MEDO DE OUVIR
 É impressionante como uma visão externa e descompromissada é capaz de nos fazer perceber que certos procedimentos narrativos podem funcionar de maneira inversa a que imaginamos inicialmente. Narrei aqui em post anterior que exibi o segundo corte de FALSA LOURA para minha filha, que está grávida e muito suscetível e que as dúvidas dela a respeito de determinada seqüência haviam me tirado o sono. A questão é que a tal seqüência era o momento crucial do filme. Quando eu esperava que ela reagisse com revolta ou perplexidade, ela apenas demonstrou indiferença e dúvida.
 Poucas vezes na minha vida agi de forma tão radical, voltei para a ilha de edição e mexi integralmente em todo o desfecho do filme, jogando fora alguns dos momentos mais trabalhosos e complicados de todo processo de filmagem e fazendo voltar ao filme uma seqüência que eu havia, semanas antes, considerado desnessária.
 Refletindo à distância do trabalho recente de terceiro corte com a montadora Cristina Amaral, nos perguntamos: "Mudou o filme?". Não hesito em responder que não, que apenas melhorou consideravelmente o seu desfecho, excluindo de vez toda possível leitura equivocada de punição da protagonista. Fazendo retornar a seqüência de um personagem "mabuseano", o dr. Vargas (uma sublime - e sombria - performance do amigo, crítico e cineasta Bruno de André), explicitou-se a condição descartável da protagonista (que não ficava claro no corte inicial), preparando assim o terreno para o seu retorno (ou "calvário") ao ambiente de trabalho, agora - de certa maneira - modificada e fortalecida pela "porrada" que levou momentos antes.
 Após completarmos esta etapa, mostrei FALSA LOURA para três pessoas de minha absoluta confiança; uma delas, a crítica mais implacável que um diretor poderia ter dentro de casa, uma virginiana que fala na cara o que pensa, que não tem o menor pudor de demonstrar claramente sua insatisfação ou tédio com um filme, livro, peça de teatro, show, etc. O fato da minha mulher considerar FALSA LOURA superior a ANJOS DO ARRABALDE, o filme que fiz em homenagem à ela e à minha cunhada Fátima, ambas ex-funcionárias do Estado e que atuaram em escolas de periferia, me deixou perplexo, senão assustado. Ouso afirmar que a inocente (e, na hora, dolorosa) intervenção de minha filha foi capital para que ela se referisse a respeito do filme que acabara de ver com as seguintes palavras: "Esse seu filme é muito lindo!". Quem conhece minha mulher sabe ela é "casca grossa" e que isso é muito mais que um elogio.

02. DE OLHOS BEM FECHADOS
 Quando estávamos montando BENS CONFISCADOS, uma viagem inesperada para o Festival Latino de Chicago para a exibição oficial de GAROTAS DO ABC, me fez sair do Brasil por duas semanas. Eu e Cristina Amaral estávamos naquele momento crucial em que haviámos dado a montagem do filme como encerrada e pronta para chegar às mãos dos editores de som. As produtoras Sara Silveira e Betty Faria insistiam que o filme estava longo e o meu cansaço natural só servia para considerar a opinião delas irrelevante. Um dia antes de embarcar para Chicago eu pedi para Cristina Amaral aproveitar a minha ausência e cortar - implacavelmente - quinze ou vinte minutos do filme do jeito que ela (Cristina) quisesse. Na minha volta eu iria tentar enxergar o filme com distância e imparcialidade; se eu sentisse falta de alguma coisa essencial os cortes voltariam ao filme. Quinze ou vinte dias depois, revi BENS CONFISCADOS, para minha surpresa, com apenas 12 minutos a menos de seu corte anterior. Tudo que me incomodou ser excluído, retornou ao filme; mesmo assim o filme ficou com oito minutos a mais do previsto. Encafifado, joguei a toalha e pergunte à Cristina o que havia caido fora e eu não havia percebido. Ela fez suspense, pensou que eu estava tirando sarro e, para meu espanto, me mostrou duas sequencias inteiras, uma de seis minutos... Cáspite, se eu que escrevi aquela merda (com Daniel Chaia) e levei dias inteiros para rodar as tais sequencias não percebi que elas não estavam no filme é porque realmente elas nunca iriam fazer falta.
 Como seria ótimo se todos os diretores pudessem se "ausentar" de seus filmes por, pelo menos, um mês inteiro.



Escrito por Carlos Reichenbach às 19h20
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   Ladeira da Memória - o retorno

REVENDO "O GURÚ E OS GURIS"

 Na entrega do Prêmio Jairo Ferreira, numa noite inesquecível que marcou a reunião da maior confraria site-blogueira de cinema do país (desde o Troféu Quepe do Comodoro, cláro), pude rever o curta-metragem que produzi e fotografei para meu amigo Jairo Ferreira, na época em que ainda trabalhava com cinema publicitário.
 Um dia mexendo na geladeira de negativo da extinta Jota Filmes descobri que haviam quatro latas de negativo 35 mm, branco e preto, de 300 metros cada, que estavam em vias de vencimento. Eu já havia utilizado parte de um lote deste material nas filmagens da minha "despedida de solteiro" (material que nunca chegou a ser editado e que quase usei - anos depois - em ALMA CORSÁRIA). Chamei o Jairo, que na época trabalhava como assistente de montagem para o Inácio Araújo e disse a ele que estava pensando em fazer um documentário sobre o Maurice Legeard, fundador da Cinemateca de Santos, com aquele material e perguntei se ele não estava a fim de encarar a empreitada, já que ele conhecia o Maurice há mais tempo. Antes dele começar a viajar muito na maionese, fui logo dizendo que eu só poderia dispensar dois dias da equipe técnica e do equipamento da casa para a tal aventura.
 Ele levou dois dias pensando na proposta e veio com a sugestão de irmos os dois, com o Jequiato Valesi (meu braço direito na época) e o gravador Nagra uma semana antes das filmagens para Santos, escolher as locações e gravar uma entrevista com o velho gurú. Mesmo não conhecendo o Maurice tão bem quanto o Jairo, eu sabia que o tal encontro iria acabar em ressaca certa. Nas vezes anteriores que estive com monsieur Legeard em Santos o colóquio cinéfilo acabou, como sempre, em homéricos porres que me obrigavam a dormir dentro do carro antes de enfrentar a volta pela Anchieta.

FLASH-BACK - Num dos extintos festivais de cinema de Santos, encontrei Legeárd numa solenidade ultra-careta, que culminou com uma esticada geral e cordial dos convidados numa boite metida a besta, onde gracejavam prostitutas de alto luxo e simplórias (!) dançarinas de strip-tease em meio a empresários, profissionais de cinema, atores e atrizes famosas. Legard já estava de saco cheio dos discursos que antecederam a esticada e já havia dado partida à sua "terapia" alcóolica habitual no bar que ficava na esquina do hotel do festival. Em tempo: Maurice era adepto ferrenho do Genebra. Enfim, estavamos os dois nos sentindo estranhos no ninho; duros e sem a mínima condição financeira de convidar as profissionais do prazer a mostrarem suas habilidades e, sobretudo, já aporrinhados com a conversa careta de três especialistas da crítica paulistana da época. Num determinado momento comecei a prestar atenção numa das lindas dançarinas de strip que me pereciam extremamente constrangidas em expor suas genitálias para um bando de babacas que falavam alto e mal prestavam atenção em seus movimentos rítmicos bem coordenados. Mostrei a moça para Maurice e ficamos observando ela até a música acabar. Quando percebi, Maurice estava chorando. Movidos por uma imensa e quase inexplicável simpatia e ternura pela strip começamos a aplaudí-la. Maurice gritava: "Linda, você é linda!". A moça agradeceu de forma sincera a nossa manifestação, mas aquela foi uma das muitas vezes que fomos convidados a nos retirarmos (juntos) do recinto por pessoas sem o menor senso de educação, tolerância ou humor.

 Para encurtar a história, a entrevista para o curta metragem foi feita (e faz, inclusive, parte da trilha sonora do filme) e quando já estávamos saindo do bar com Maurice e seus discípulos, surgiram dois caras sizudos acompanhados da polícia. Um deles apontou o dedo para Maurice e disse: "O senhor falou muito palavrão e isso ofendeu a minha esposa. Agora o senhor pede desculpas a ela." Eu sou testemunha de que ninguém prestou atenção nos tais casais que estavam sentados nos fundos do bar. Maurice cambaleando se aproximou da "esposa" do cidadão e deixou escapar a verdade: "Mas ela tem cara de puta!". Lá fomos todos nós, gurú, guris e equipe técnica para a delegacia. O delegado quando viu Maurice abriu os braços: "Seu Maurice.... de novo!".  Ao invés de prender Maurice, chamou um dos "ofendidos" de lado e disse para eles irem embora para casa ou para um motel com as respectivas profissionais porque aquele senhor que falava alto no bar era uma das pessoas mais inteligentes e respeitadas de Santos. Meia hora depois, os guris tiveram que segurar Maurice para ele não tentar convencer o delegado a tomar a saideira com a turma do filme no bar da esquina.
 Revendo o curta, bateu uma saudade enorme de Maurice e Jairo Ferreira, esses dois outsiders tão queridos.

ADENDO

 Jairo Ferreira e Maurice Legeard eram pessoas inteligentes e informadas, que não conseguiam aceitar a pasmaceira, a mediocridade e a intolerância. Pareciam deslocados da época e do local onde/quando viveram. Essa estirpe de outsider, normalmente, espelha o elogio que fazia Sócrates a figura do transgressor como um bem necessário à comunidade. Essa estirpe de outsider representa renovação, transformação; em suma, a diálise intelectual de uma geração inteira. Ferreira e Legeard foram agitadores culturais, no sentido menos moderno e fassion e mais literal e nobre do termo.


EXTRAÍDO DA COMUNIDADE MÚSICA FORA DE CATÁLOGO - MFDC

 Você sabia que Jim Capaldi gravou uma versão em inglês da belíssima canção "Casinha Branca", de Gilson, que muito neófito considera "brega"?

Versão de Casinha Branca (Gilson):
Jim Capaldi - Old Photographs:
http://www.4shared.com/file/12240037/7ce5269/Jim_Capaldi_-_Old_Photographs.html



Escrito por Carlos Reichenbach às 04h12
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   Nossa Musa + Notas e Dicas

SALVE A DIVA MARIANA DE MORAES

 Fui ontem com meu filho Luis Ronaldo assistir a última apresentação da "Homenagem a Orfeu", espetáculo que celebrou os 50 anos do encontro de Jobim com Vinícius e Niemeyer. O evento reuniu artistas, intelectuais e professores do porte de José Miguel Wisnik, Arthur Nestrovski, Ná Ozetti, Mariana de Moraes, Renato Braz, o Ensemble SP e o Grupo Moderna Tradição numa apresentação irrepreensível, embora - à meu ver - austera em excesso. Entre os músicos de ponta participantes, um dos ídolos maiores de meu filho músico, Naylor Proveta, cujos solos no sax soprano e no clarinete realmente se destacaram entre comoventes e saborosas apresentações individuais de alguns dos maiores clássicos do cancioneiro brasileiro. Ouvir Ná Ozetti é sempre um privilégio, mesmo que a austeridade do evento tenha - aparentemente - inibido a inventividade bem humorada habitual da cantora. Ná Ozetti fez uma emocionante apresentação de "Se Todos Fossem Iguais a Você", mas - sinceramente - isso não me pareceu uma surpresa, já que nem Richard Clayderman consigou mediocrizar essa gema da música brasileira (aliás tenho esse disco do pianista loiro no meu acervo pessoal).
 Curiosamente, vieram do professor Wisnik os momentos mais bem humorados do espetáculo.
 Surpresa mesmo foi descobrir Mariana de Moraes cantando com a intensidade das grandes divas da música lírica. A apresentação de Mariana me pareceu a mais identificada com a austeridade buscada. Afinal, corre nas veias da cantora e atriz o sangue do poeta.
 Lembro que nos intervalos das filmagens de ALMA CORSÁRIA, Mariana escapava para estudar voz e ritmo com alguns dos bambas da matéria. Com isso, o cinema parece ter perdido - temporariamente, espero - uma de suas musas mais orgânicas.
 Ontem, observando a concentração de Mariana voltei a pensar num sonhado filme musical que planejo hà vários anos, onde penso juntar a criatividade musical do maestro Nelson Ayres (nosso Georges Delerue), do também maestro e experimentador Guilherme Vaz (retomando sua viagem adiada pela "música das origens"), com a grandeza dos versos de Murilo Mendes, num delírio audio-visual que misture o "cinema cantado" de Jacques Demy com as investidas conceituais de Alain Parker (The Wall) e Michael Powell (Contos de Hoffman). Loucura? Pretensão megalô? Bobagem, sem delírio não há invenção (nem imaginação).
 Quem sabe um dia eu consiga reunir as vozes e as presenças de Virgínia Rosa, Mariana de Moraes, Betty Goulart e Paula Lima nesta ópera pós-utópica.... Algum mecenas se habilita?


UMAS & OUTRAS

PRÊMIO JAIRO FERREIRA
(relação dos premiados)
Melhor Longa Brasileiro - Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
Melhor Lançamento em Cinema - Amantes Constantes, de Philippe Garrel (Imovision)
Melhor Lançamento em DVD - Terra em Transe (Edição Restaurada), de Glauber Rocha (Versátil)
Melhor Mostra de Audiovisual - Agnès Varda: O Movimento Perpétuo do Olhar (CCBB-SP, Odeon BR-RJ, CCBB-DF - curadoria e produção: Cristian Borges, Gabriela Campos, Ines Aisengart).

ELES VOLTARAM!
http://www.cineprojeto365.co.nr/
http://www.cineprojeto365.br.tc/
http://www.cineprojeto365.uni.cc/

 Estevão Augusto informa que o Projeto 365 esta buscando resenhistas de filmes que atuem por prazer e amor ao cinema.

HERÁCLITO MAIA E O VÍSCERA INDICAM
- os blogs  (já presentes nos links ao lado) -
OS INTOCÁVEIS
http://os-intocaveis.blogspot.com/
STRAVAGANZA
http://stravaganza70.blogspot.com/
- e destaca:
HONG KONG OLD-SCHOOL - Um blog sobre filmes antigos de kung fu escrito por Aline S. F., uma jovem aficionada de Curitiba.
http://hkoldschool.blogspot.com/

- de quebra, abaixo das dicas, tem também Cameron Diaz... nua, linda e fresca (no sentido menos pejorativo do termo)!!!!
http://www.xmaniac.net/viscera/



Escrito por Carlos Reichenbach às 17h13
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   Grátis para baixar

OTTO MUEHL NA WEB

 Já estão disponíveis para serem baixados alguns dos filmes mais transgressivos do anarquista austríaco Otto Müehl, no site da UBU.COM, incluindo o já clássico SODOMA, de 1969:

http://www.ubu.com/film/muehl.html

 Quem ainda se escandaliza com imagens de coprofagia explícita e genitálias em ação frenética nem pense em acessar o endereço. Os que esperam ver pornografia barata podem tirar o cavalinho da chuva. Os filmes de Otto Muehl são exercícios insolentes no campo do cinema e do teatro experimental. No mesmo endereço acima há uma enorme entrevista com o "Zé Celso austríaco" (embora seja preciso notar que Muehl vinha se dedicando ao teatro ritualístico muito antes de seus seguidores estrangeiros e simultâneamente a Julien Beck, Judith Malina e o Living Theater).



Escrito por Carlos Reichenbach às 14h44
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