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Marcelo Montenegro convida
CINEMATECA ESPECIAL: NILSON PRIMITIVO 31 de maio de 2007, às 21 horas Sem passagem por cursos de cinema, o cineasta Nilson Primitivo, 39 anos, é um estranho no ninho da nova geração de cineastas cariocas. Na contramão do cinema patrocinado e de filmes cada vez mais esteticamente padronizados, Nilson já assinou onze produções sem qualquer verba pública, utilizando uma metodologia própria, muitas vezes "montando" o filme na câmera e revelando-o em condições precárias, de forma caseira. Anarcopunk nos anos 80, Primitivo recria o cinema marginal com poesia e crítica: "Assumo o que eu faço e espero não ser preso". Seus onze filmes foram rodados com uma Bolex 16mm a manivela, usada na Segunda Guerra Mundial pelo avô de um amigo. Os negativos são sobras recusadas por produtores amigos. Volta e meia, ele manda o filme para o laboratório e ligam dizendo que a imagem está com problemas. "Está tudo muito limpinho. Precisamos do defeito", argumenta. “Mais Velho” (2000) conta a história de um assaltante de pontos do jogo do bicho nos anos 80. O cineasta se baseou em notícias de jornal para biografar o bandido, que levava o dinheiro dos mais perigosos mafiosos do Rio na mão grande. A revelação e a montagem do material foram experiências formidáveis: na banheira, as pontas dos negativos foram testadas até chegarem num resultado interessante. Além de “Mais Velho”, Primitivo filmou no Rio “Exu do Amor” (2001), “Idade da Pedra” (2002), “Duelo das Loiras” (2003), “Dez pro Inferno” (2004) e “O Craque do Futuro e Império das Pelúcias” (ambos de 2005). Sem perspectivas e com os aluguéis do apartamento em Copacabana atrasados, Nilson mudou-se para São Paulo em 2006, onde veio fazer trilha sonora para teatro. Ainda sobraram algumas latas de velhos negativos, que nas mãos desse experimentador compulsivo, se transformaram em mais três títulos: “GRU” (2006), “Alerta aos Carcereiros” e “Quando a verdade vai entrando ou Carta aos cegos (para aqueles que sabem ouvir e falar)” (ambos de 2007). Ano passado, Nilson Primitivo fez uma ponta no longa-metragem “Encarnação do demônio”, novo filme de Zé do Caixão.
Sala Cinemateca Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Mariana próxima ao Metrô Vila Mariana Outras informações: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954
Os filmes serão exibidos em DVD, com entrada franca
PROGRAMAÇÃO Mais Velho, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2000, 16mm, pb, 14'
Tesão em Saquarema, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2001/2006, 16mm, pb, 8'
Exu do amor, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2001, 16mm, cor, 2'
Idade da pedra, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2002, 16mm, cor, 5'
Duelo das loiras, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2002, 16mm, cor, 8'
Dez pro inferno, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2004, 16mm, pb, 2'
Craque do futuro, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2005, 16mm, cor, 5'
Império das pelúcias, de Nilson Primitivo Rio de Janeiro, 2005, 16mm, cor, 7'
GRU, de Nilson Primitivo São Paulo, 2006, 16mm, pb, 8'
Alerta aos Carcereiros, de Nilson Primitivo São Paulo, 2007, 16mm, pb, 4'
Quando a verdade vai entrando ou Carta aos cegos (para aqueles que sabem ouvir e falar), de Nilson Primitivo São Paulo, 2007, 16mm, cor/pb, 2'
Escrito por Carlos Reichenbach às 14h18
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Clássico no Comodoro
SESSÃO ÚNICA DO COMODORO - JUNHO DE 2007
A Sessão do Comodoro, do dia 06 de junho, vai apresentar a antólogica produção de Val Lewton, A MORTA-VIVA [I Walked With a Zombie], dirigida por Jacques Tourneur, falada em inglês, com legendas em português. A exibição deste clássico se tornou possível graças à colaboração do historiador Jaime Palhinha e dos críticos Inácio Araújo e Juliano Tosi.

A MORTA-VIVA [I Walked with a Zombie] Estados Unidos - 1943 Falado em inglês, com legendas em português Duração 70 minutos, em branco e preto Diretor: Jacques Tourneur Produtor: Val Lewton De uma história de Inez Wallace, inspirada na novela "Jane Eyre", de Charlotte Brontë (O Morro dos Ventos Uivantes) Roteiro: Curt Siodmak e Ardel Wray Música Original: Roy Webb Fotografia: J. Roy Hunt Montagem: Mark Robson Elenco: James Ellison, Frances Dee, Tom Conway, Edith Barrett e James Bell.
RESUMOS 1. Betsy, uma enfermeira canadense, aceita viajar para o Caribe onde irá cuidar da jovem e catatônica esposa de um rico plantador de cana, que mora com a mãe e o meio-irmão numa ilha onde são praticados rituais vudús. 2. A trama de A Morta-Viva gira em torno de uma enfermeira (Frances Dee) contratada para cuidar da esposa (Christine Gordon) de um grande fazendeiro (Tom Conway) que vive nas Índias Ocidentais. Ao chegar lá, ela se vê envolvida com os dramas de uma família disfuncional e passa a suspeitar que sua paciente pode ser na verdade um zumbi, uma “morta-viva”.
COMENTÁRIO Conforme o próprio diretor Jacques Tourneur: "I Walked with a Zombie is a horrible title for a very good film - the best film I've ever done in my life.". Talvez o mais belo, melancólico e aterrador filme de atmosfera realizado pelo diretor com o produtor Val Lewton. Foi o próprio Lewton quem encomendou a Siodmak e seu parceiro adaptarem "Jane Eyre", de Charlotte Bronte (conforme Saulo Adriano, irmã da escritora de "O Morro dos Ventos Uivantes - Wuthering Heights", Emily Bronte), para as Antilhas. Tourneur, que confessou publicamente (antes de morrer) ter vivenciado experiências mediúnicas, filmou rituais vudús autênticos, contratando dançarinos haitianos que deixavam incorporar entidades durante as filmagens. Mas o que mais fascina em A MORTA-VIVA é o clima melancólico da narrativa e o notável uso do claro-escuro e das sombras, que mais sugerem do que mostram. Tourneur e Lewton sabiam como ninguém "tirar água de pedra", basta ver as aterradoras seqüências rodadas no quintal do estúdio. Um dos cortes mais antológicos da história do cinema acontece no momento em que um feiticeiro (o "doctor") espeta uma enorme agulha numa boneca vudú. Como bem demonstrou Martin Scorsese em seu documentário sobre o cinema americano, A MORTA-VIVA vale um curso completo de cinema e mise-en-scene.

SITE DEDICADO AO FILME http://www.geocities.com/Hollywood/Set/7321/zomwalked.html
OPINIÕES "I Walked With a Zombie just might be my favorite Lewton film. It's the atmosphere that makes Lewton's movies, and this one has lots of it. It's suspenseful and eerily unsettling. The music and pacing as well as the development of the story all contribute to making the film at once lulling and anxious, a sort of tension and inertia both at the same time." - Karin Wikoff
CLASSIC HORROR http://classic-horror.com/reviews/iwalkedwithazombie.shtml "Reportedly, I Walked With a Zombie was producer Val Lewton's favorite out of the nine low-budget horror films he produced for RKO Radio Pictures between 1942 and 1946. Disquieting, ethereal, and powered by shadow and suggestion, I Walked best displays the philosophy of terror that Lewton tried to imbue in all of his films. Perhaps it is this very fact that makes the film his least effective in terms of the horror genre, although it is a beautiful, admirable work in all other things. ... The issue with labeling I Walked With a Zombie as a horror film is that the characters never appear to be in any real danger, supernatural or otherwise. There's culture clashing, family politics, and an island romance of sorts, but none of these amount to a credible threat -- everybody's too well-intentioned for that. I Walked's relation to the genre appears to be mostly circumstantial -- Lewton believed it was a horror film and it does feature zombies. However, if it's a horror film, then you may as well chuck Alfred Hitchcock's similarly-themed Rebecca (1940) in with it. Rebecca at least had a concrete, deeply unnerving antagonist in Mrs. Danvers, whereas I Walked has nothing more terrifying than voodoo drums and an easily deterred zombie guard. Put aside the horror connection, however, and you still have a good movie. It's the story of the deception of appearances. Nearly every major character appears one way initially and reveals a more complex, often contradictory nature as the plot progresses. The husband wants to save his wife despite the fact that he does not care for her. The jovial brother is wracked with bitter, impotent vitriol. The missionary mother moonlights as the voodoo god. As with Cat People, Val Lewton and company present a story where superstition is compounded, not refuted, by logic. Medical science has explanations for Jessica's condition, yes, but none are completely satisfactory. Those patchy areas that voodoo and zombification rush to fill in and overcome are no less troubling. Though it is explained how the supernatural took Jessica's will, the tale is related by an unreliable party and it doesn't explain how medical science has consistently demonstrated her "life." In a sense, Jessica is a cinematic Schrodinger's cat -- she is both alive (although stripped of her will) and dead (although quite mobile for it), co-existing in both states at once until Lewton and company open up the tragic climax. Director Jacques Tourneur, working with cinematographer J. Roy Hunt, paints a haunting picture, full of the glorious shadows that gave Lewton's horror films that noir vibe -- far more so than most producers were doing at the time. Watched on purely visual terms, I Walked With a Zombie gives a sense of unrest that the dialogue then processes into high-quality melodrama. With a slightly different script, this could have been a highly effective chiller. ... Still, as a haunting, slightly twisted melodrama, I Walked with a Zombie is on par with such classics as the aforementioned Rebecca and Robert Stevenson's Jane Eyre (1944) -- the latter is hardly surprising as Lewton himself stated that he had taken his inspiration for the plot from Brontë's original novel. Bearing in mind that the horror merely a flimsy pretext, I Walked with a Zombie makes for a dark, delicious treat from Hollywood's classic era." - Nate Yapp
Escrito por Carlos Reichenbach às 00h33
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