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FILMOTECA DO EDITOR http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/index.html
ZURLINI REVISITADO EM "FALSA LOURA"
fotos de Luciana Figueiredo

Rosanne Mulholland e Maurício Mattar.
Nelson Ayres está neste momento preparando um arranjo especial para a música "Elas por Elas", de Isolda e Milton Carlos, para a seqüência do terraço de FALSA LOURA, que homenageia explicitamente o filme "A Moça com a Valise". É possível que o extraordinário trumpetista Marcio Montarroyos, que retornou recentemente de uma temporada musical no exterior, venha a participar da gravação.

Rosanne Mulholland e Maurício Mattar.
Para a seqüência em que Rosanne Mulholland e Maurício Mattar passeiam pela fazenda Maristela, nos momentos finais do filme, Ayres compôs uma belíssima peça musical que remete a Villa Lobos e Radamés Gnatalli.
NELSON AYRES - AGENDA
Dia 6, quarta, 22:00 hs O TRIO 202 se apresenta mais uma vez no Tom Jazz, a casa noturna mais gostosa de São Paulo. O trio é formado por Toninho Ferragutti (acordeon), Ulisses Rocha (violões) e Nelson Ayres (piano). Nesta apresentação estaremos complementando as gravações iniciadas em maio no Jazz Standard, de NY, para nosso primeiro CD. TOM JAZZ, Av. Angélica 2331 (uma quadra antes da Av. Paulista). Reservas pelo telefone (11) 3255 0084 / 3255 3635. Couvert R$30,00.
Dia 21, quinta, 21:00 O grupo PAU BRASIL prossegue sua série "Nossos Brasis" desta vez trazendo como convidado o genial percussionista NANÁ VANCONCELOS. MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, ingressos a R$10,00 e R$5,00.
TEMPORADA, de quinta a domingo Depois da emocionante estréia no Circo Voador (Rio de Janeiro) a convite de Chico Buarque, MONICA SALMASO e PAU BRASIL fazem o lançamento oficial de seu CD "Noites de Gala, Samba na Rua", inteiramente dedicado à obra de Chico. Monica e os músicos são unânimes: é o melhor teatro para se fazer e ouvir música no Brasil. FECAP, Av. Liberdade 532, São Paulo Quintas, sextas e sábados às 21:00 hs / Domingos às 19:00 hs Ingressos: R$40,00 e R$20,00. Apenas nas quintas 7, 14 e 28: R$10,00 e R$5,00. Venda por telefone: 3089 6999 / Venda por internet: https://teatrofecap.showare.com.br
Dias 18, 19 e 20 NELSON AYRES e os SOLISTAS INTERARTE se apresentam em cidades do Rio de Janeiro, em tournée patrocinada pela Petrobras. No programa, uma mescla inteligente de música erudita e popular com Pablo de Leon (violino), Horacio Schaefer (viola) e Roberto Ring (violoncelo). Ingressos gratuitos. DUQUE DE CAXIAS - dia 18, segunda, 19:00 hs. / Teatro Raul Cortez SÃO GONÇALO - dia 19, terça, 19:00 hs / SESC ITABORAÍ - dia 20, quarta, 19:00 hs / Teatro Municipal
DVD - O PIANO E O BLUES Acaba de ser lançada em DVD a video-aula "O Piano e o Blues". Para pianistas iniciantes ou músicos eruditos que querem começar a improvisar, é uma opção bem divertida. O preço de tabela é R$39,90 e pode ser encontrado nas lojas de música, no site www.freenote.com.br, e também nos nossos shows.
INFORME DO CINECLUBE EQUIPE

O Cineclube Equipe do Instituto Equipe Cultura e Cidadania tem o prazer de convidar a todos para a última sessão do semestre, Cinema Clássico de Hollywood: Western e Film Noir, no sábado dia 16 de junho de 2007, no auditório do Colégio Equipe. Na sessão, excepcionalmente dupla, serão exibidos o western A Grande Jornada, de Raoul Walsh (o primeiro filme estrelado por John Wayne) e o noir Laura, de Otto Preminger, seguidos de debate com a participação dos críticos Cássio Starling Carlos e Filipe Furtado e sorteio de livros. Como de costume, serão disponibilizados livros para consulta e murais informativos sobre o tema. No hall de entrada acontecerá a exposição fotográfica Cinco olhares femininos, de grupo de fotógrafas iniciantes de diferentes idades e formações. Seu título deixa subentendido que existe uma diferença no modo feminino de observar e conviver com a realidade, em comparação com o modo masculino. Mas será isto verdade? Com humanas diferenças e femininas semelhanças, o grupo busca responder esta questão (ou, pelo menos, levantar tantas outras). Cássio Starling Carlos é jornalista e crítico de cinema da Folha de São Paulo. Filipe Furtado é editor e crítico da Revista Paisà e redator da revista eletrônica Contracampo (http://www.contracampo.com.br) . Mais cedo, no mesmo dia, às 10h30, o Cineclubinho Equipe exibirá Meu Vizinho Totoro (1988) de Hayo Miyazaki, o mesmo diretor da premiada animação A Viagem de Chihiro. Esta fantástica animação é raríssima no Brasil e nunca foi lançada comercialmente no país. Após a projeção, será realizada oficina de origami e sorteio de livro. (Ingresso: R$2,00) Em 2007, o Cineclube apresenta o Panorama Estórias do Cinema, uma tentativa de reconstruir e redescobrir nosso olhar para as imagens em movimento. Adotamos a linha cronológica como guia para (re)vermos o antigo como se fosse a primeira vez, buscando, sempre, compreender a nós mesmos e a nossa sociedade. Estórias, porque não são todas, são algumas das que nos interessam, entendidas em seus contextos específicos. Não pretendemos esgotar nenhum tema. Queremos, sim, abrir mais janelas para que as discussões se estendam para fora de nosso espaço e sejamos capazes de criar novas relações, talvez escondidas atrás do que parece já conhecido e acabado. PROGRAMAÇÃO 13h30 - Exposição fotográfica Cinco olhares femininos, venda de bottoms, murais e livros informativos sobre o tema da sessão a disposição para leitura e bombonière, ao som da banda Candongas Não Fazem Festa, no hall de entrada; 14h - Exibição de A Grande Jornada, de Raoul Walsh; 15h50 - Intervalo; 16h - Exibição de Laura, de Otto Preminger ; 17h50 - Intervalo; 18h - Debate com Cássio Starling Carlos e Filipe Furtado, seguido de sorteio de livros. O valor do ingresso é de R$5,00. Para mais informações, visite o nosso site: http://www.cineclubeequipe.blogger.com.br
SUPER-BRIDA
foto - Eleonora Reichenbach

Escrito por Carlos Reichenbach às 13h34
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Zurlini
AS CORES E A MÚSICA NOS FILMES DE VALÉRIO ZURLINI
O suplemento cultural do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO publicou no sábado (03/06/2007), uma página inteira a respeito dos lançamentos em DVD (pela Versátil) dos oito filmes de Valério Zurlini. À convite do jornalista Antônio Gonçalves Filho, o editor deste blog escreveu um texto sobre as ligações do diretor com a literatura, a pintura e a música com o título de "Poética Cinematográfica que Aspira à Síntese". Como o texto ficou muito longo ele foi publicado parcialmente no jornal e na íntegra no site do Estado: http://www.estadao.com.br/arteelazer/cinema/noticias/2007/jun/02/88.htm
Como nem todos internautas tem acesso ao site, resolvi postar trechos parciais do texto, acompanhados de algumas obras pictóricas que influenciaram o diretor
CINEMA E PINTURA Um dos aspectos mais marcantes da obra de Zurlini é a sua assumida influência pictórica. Zurlini investia tudo que ganhava em cinema nos quadros dos pintores italianos que admirava: Giorgio Morandi (1890 - 1964), Carlo Carrá (1881 - 1966), Ottoni Rosai (1895 - 1957), entre outros. Seu fascínio por Rosai, cujas paisagens influenciaram os matizes e as perspectivas de "Cronaca Familiare" (Dois Destinos), não deixa de ter algo de contraditório; o pintor, magnificamente biografado por seu amigo Piero Santi em "Retrato di Rosai", havia sido um convicto "esquadrista" do fascismo. Homossexual e pedófilo, Rosai só não foi deportado pelo passado fascista. Mesmo assim, chegou a ser execrado tanto pela esquerda quanto pela direita, por causa de seus famosos nus masculinos, cujos modelos eram buscados entre os jovens proletários na estrada de Florença. Mas para Zurlini importavam as cores de Florença captadas por Rosai; assim como os tons marítimos de Carrá presentes em "A Primeira da Tranqüilidade". Mas foi em Morandi, e nas paisagens enxergadas "como estados da alma", que o cineasta mais se aproximou de Yasujiro Ozu graças aos constantes "planos de respiro" que pontuam seus filmes.

Ottoni Rosai (1895 - 1957)

Giorgio Morandi (1890 - 1964)

Carlo Carrá (1881 - 1966)
CINEMA E MÚSICA Pode-se discorrer longamente a respeito da cumplicidade artística entre Zurlini e o grande compositor Mario Nascimbene, mas é na utilização pontual de canções e melodias populares e mesmo de peças clássicas que a poesia melancólica de seus filmes é refinada. É comum nos filmes do diretor o comportamento dos personagens ser revelado ou definido através do singelo gesto da dança. São momentos de encantamento onde Zurlini se permite o devaneio e a ruptura narrativa; um "vôo livre", alçado plenamente graças à intervenção da música familiarizada. Alguns dos filmes são lembrados de imediato exatamente por conta deste "divagação". "Estate Violenta" vem à memória quando lembramos do casal envolto ao som de "Temptation", de Nacio Herb Brown e Arthur Freed. As cenas inicias de "La Prima notte di quiete", além do visual marítimo de Rimini, cujos matizes foram "emprestados" de Carrá, foram eternizadas pelo agônico solo de trompa de Maynard Ferguson para uma canção de Nascimbene. No mesmo filme, o maduro Daniele Dominici (Delon) se descobre perdidamente apaixonado pela jovem Vanina (Petrova) quando a vê dançando solitária em uma boite. Mas é em "A Moça com a Valise" que Zurlini alcança a perfeita simbiose entre erudito e popular, transformando a música em personagem integrante do enredo, especialmente nos excertos da canção "Celeste Aida", da ópera "Aida", de G. Verdi (na antológica cena da descida de Cardinale, de roupão, pelas escadarias da mansão Feinardi), e dos solos de trompete do "standard" Fausto Papetti (na magistral seqüência do terraço do hotel). A inserção de inúmeras canções populares dos anos 60 confere ao filme um proposital e contraditório efeito atemporal. A Parma provincial ganha contornos míticos peninsulares ao som de Peppino di Capri, Mina, Nico Fidenco. Gino Paoli, Adriano Celentano e, sobretudo, da canção "Il Nostro Concerto", de/com Umberto Bindi. - CARLOS REICHENBACH
Escrito por Carlos Reichenbach às 01h13
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