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Arquivos Sonoros
MÚSICA COMO CINEMA - RUSS GARCIA, AGAIN

Homenageado, em 2005, pelo L.A. Jazz Institute por seus 60 anos de contribuição a história do jazz, Russ Garcia - sempre bem humorado - afirmou que nunca trabalhou na vida, mas que compunha música e era pago para isso. Compositor, arranjador e maestro, Garcia teve uma sólida formação musical tanto clássica como jazzística. Ingressou nos estúdios de Hollywood para fazer os arranjos do filme "The Glenn Miller History", cujas partituras conhecia de cor. Apaixonou-se pela música brasileira antes de vir ao Brasil e gravar o LP "Carioca". A leitura de Garcia para o já clássico "Delicado", de Waldir Azevedo, é ponto alto deste disco essencial. Mas acima de tudo isso, Garcia praticamente "inventou" o som do espaço e dos "outros mundos" e de certa forma pode ser considerado um dos pais (senão, "o pai") do gênero Space Age Pop. Como bom pioneiro da vida e dos timbres, Garcia, em determinado momento e no auge de seu sucesso como arranjador, abandonou os estúdios de gravação e a competição diária pela sobrevivência para se dedicar exclusivamente a jovem esposa e ao barco onde empreendeu voltas ao mundo. Acabou se fixando na Nova Zelãndia onde mora até hoje, promove concertos esporádicos e dá aulas de música. Há alguns anos, Garcia e a esposa se encantaram com as idéias revolucionárias da Fé Bahá'í, a religião independente que mais depressa se espalhou por todo o planeta. O fato de Garcia ter se tornado adepto Baha'i só confirma a sua sensibilidade visionária. A composição “Adventure in Emotion", que iremos compartilhar com os fieís do REDUTO, é um autêntico marco da invenção na música não erudita.
Los Angeles Neophonic Orchestra - “Adventure in Emotion" (de Russ Garcia) http://www.4shared.com/file/23772252/b7e6fab1/Los_Angeles_Neophonic_Orchestra_-_Adventure_in_Emotion.html
Stan Kenton conduz a Los Angeles Neophonic Orchestra na formidável composição do genial Russ Garcia. Trata-se de uma peça jazzística em cinco movimentos, de perfil quase experimental, onde se destacam Bud Shank, Gil Falco e Bob Cooper (no óboe).

Russ Garcia e esposa em cerimonia Baha'i.
Escrito por Carlos Reichenbach às 18h35
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Pré-estréia corsária.
TROPA DE ELITE X OS PIRATAS DA PREMIÈRE
Eu pecador me confesso: comprei um DVD corsário de TROPA DE ELITE. Em fase final de mixagem de FALSA LOURA, ando com algumas pulgas atrás da orelha com a tal de história da pirataria que anda assolando os filmes brasileiros ainda em processo. Passeando pelas proximidades do mercadão da Lapa, no intervalo do trabalho nos estúdios da JLS, me deparo com um varal imenso de DVDs ilegais numa das praças principais do bairro. Por razões óbvias sempre evitei me tornar freguês desse tipo de comércio, mas naquele dia arrisquei descobrir se o vírus originário do Rio de Janeiro já havia se alastrado pela periferia de São Paulo. Descobri espantado que já estavam disponíveis filmes recém lançados como O ULTIMATO BOURNE e DURO DE MATAR 4.0. Perguntei por filmes brasileiros e o único inédito à venda era CAIXA DOIS, de Bruno Barreto. Disfarçando a voz e as intenções (sei lá porque), perguntei ao rapaz ultra-atencioso se ele tinha um filme chamado "Tropa de Choque". Ele achou graça da minha ignorância e disse: "O senhor deve estar querendo TROPA DE ELITE; esse é especial, não fica em exposição". Abriu uma sacola imensa, revirou uma pilha de DVDs e finalmente apareceu com um envelope de plástico em cujo interior se destacava uma capa improvisada com fotos retiradas do noticiário policial. Nenhuma imagem dos atores centrais, só fotos de reportagem em volta do símbolo do BOPE (aquele com facas enterradas no crânio de uma caveira). Ao invés do nome do filme, em letras garrafais: "Filmado ao Vivo Numa Incursão de uma das Favelas do Rio" (sic). Juro que me senti um calhorda indagando o preço da mercadoria. O simpático vendedor anunciou: "Cinco reais, mas se levar mais dois paga dez!". Mediante preço tão módico, resolvi aprofundar minha pesquisa sobre as origens e a fonte da pirataria (?!): "Completa com o Bourne e o Duro de Matar 4.0". À noite, mesmo inicialmente preocupado em não estragar o leitor a laser dos meus dois aparelhos de DVD com mídia tão espúria (os teasers da UBV vivem assustando a gente com essa possibilidade), iniciei minha investigação privada. Parênteses. É verdade que o facilitário da edição digital trouxe algumas perversões. Normalmente os filmes passam por mais de cinco ou seis versões diferentes de corte. Com o DVD, esses inúmeros cortes (ou versões alternativas) passam pelas mãos e o crivo de tantas pessoas que fica muito difícil controlar o destino final das cópias. Antigamente, quando queríamos mostrar o corte para um possível comprador ou pessoa de confiança, tínhamos que organizar sessões privativas na sala de montagem e na moviola. Era comum mantermos a sala de montagem fechada a sete chaves quando não estávamos editando o filme. Hoje, graças à praticidade do DVD, certos produtores tem o péssimo hábito de querer ouvir as opiniões mais esdrúxulas, da mulher, da amante, da filha, do vizinho, do porteiro do prédio, do gerente de banco e até do ascensorista do prédio, na vã tentativa de tornar o filme "mais acessível". Ora, qualquer cretino sabe que público se define na gênese do projeto; que é impossível (ou burro) querer subverter a fórmula (e destino) de um produto em processo de acabamento. A única fórmula de sucesso garantido (seja nos Estados Unidos, no Brasil ou na Nicarágua) é o best-seller. O best-seller, se bem realizado, é cheque visado. Com isso, é possível prever - mesmo sem ter visto o resultado final, após a mixagem - que TROPA DE ELITE vai ser um estrondo. Quiçá, o futuro recordista brasileiro de renda e público. A primeira questão é que o filme é realizado com habilidade e talento e, sobretudo, magistralmente interpretado. Vai gerar paixões e ódios instantâneos (mais paixões, diga-se de passagem). É um filme de direita? É; e daí! É um elogio da violência e da "lei de Talião". É sim, como todo e qualquer filme de Francis Coppola e Martin Scorsese. TROPA ´DE ELITE é um filmaço e um enigma. É um filme de direita, mas não é reacionário. Só vendo para crer. A intenção do texto não foi fazer uma crítica (mesmo que elogiosa ou ambígua) a respeito do longa de José Padilha, por isso me atenho agora à investigação propriamente dita. De cara, na tela, legendas em inglês explicam a origem do enredo. Em poucos segundos percebemos que se trata de uma destas cópias que são feitas apressadamente para aprovação nos festivais internacionais. Fica evidente que a bandalheira aconteceu onde foram feitas as legendas do filme. Na cópia corsária de ULTIMATO BOURNE descobre-se a maneira inteligente de se coibir - parcialmente - tal prática. Está lá, durante todo o tempo, a marca d´água da major que distribui o filme. Pior, as legendas em português foram aplicadas em cima de outras legendas (no caso, em francês). A ironia é que o filme é tão bom (e ágil) que minutos depois a irritação inicial se esvai e somos irresistivelmente "agarrados" pela habilidade do diretor. A meia-hora inicial é de reter a respiração. Já DURO DE MATAR 4.0, parece ter sido filmado em um cinema vazio com uma câmera High Definition, logo após a sua dublagem em português (a versão dublada é a única disponível). O som metálico, que reduz o Dolby 5.1 à acústica de banheiro público, me fez jogar a mídia no lixo após meia hora de projeção. Enfim, algumas lições aprendidas neste exercício de conivência com a contravenção: só liberar cópias em DVD com marca d´água da empresa produtora, em toda extensão da imagem, (de preferência, daquelas pouco discretas), durante o acabamento final do filme; evitar comprar "gato por lebre" ou ficar suscetível à má qualidade de mídias vagabundas, dando sempre preferência aos DVDs selados. No entanto, confesso que não me transformei num títere da antipirataria, pois continuo defendendo o direito de ter acesso a obras importantes, raras e não comercializadas. Para isso existe a democratização do compartilhamento. Eu mesmo pretendo futuramente disponibilizar gratuitamente alguns filmes de minha lavra, nos torrents e nos e-mules da vida. Como bem diz o Felipe Macedo, no comunicado publicado abaixo: "Filmes são feitos para serem vistos!"
P.S. - Na seara do contrasenso, quantos anos de perdão vão ter os piratas que andam comercializando as cópias bandalhas da franquia "Piratas do Caribe"?
Escrito por Carlos Reichenbach às 14h29
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