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UMAS & OUTRAS - BIS
FILME COMERCIAL + FILME POPULAR = FRACASSO

Nicholas Ray afirmava, com muita propriedade: "Não conheço a fórmula do sucesso, mas o caminho para o fracasso é previsível; basta querer agradar todo mundo.".
Com DELIZIA, Joe D´Amato confirma a assertiva. De todos os duzentos filmes populares que realizou, este pode ser considerado o mais comercial de todos. Um mulherão magistral (Tini Cansino, famosa na tv italiana) como protagonista + situações clichês e maliciosas das comédias "jovens" da época + músicas agitadas e de sucesso + situações e momentos picantes no limite da tolerância familiar (incluindo um discreto mas generoso topless da estrela) capazes de atingir um espectro mais amplo do público adolescente. As razões do fracasso de uma fórmula tão "infalível" fizeram D´Amato reavaliar sua própria filmografia. Realizado no mesmo ano que DELIZIA, 1987, a contrafação "Killing Birds - Uccelli Assassini" (seqüela primo-pobre e sangrenta de OS PÁSSAROS) acabou se tornando um "must" para os fãs de D´Amato, graças a vigorosa trilha sonora de Carlo Maria Cordio e à câmera subjetiva de seus sete minutos iniciais, de arrancar o fôlego e arrepiar os cabelos do espectador menos impressionável. O curioso é que DELÍZIA foi feito para ganhar dinheiro e atingir as massas, enquanto KILLING BIRDS visava um público dirigido e/ou segmentado. O emprendimento mais modesto vende DVD até hoje, no mundo inteiro; DELIZIA só é acessível virtualmente e à partir da ripagem de sua emissão na tv à cabo.
Confesso que tenho - nestes últimos anos - aprendido mais sobre a "indústria do cinema" com os pequenos filmes de D´Amato, que com todos os cursos teóricos que fiz em minha vida. Isso sem lembrar que D´Amato era mestre em transformar a mais humilde atendente da quitanda ao lado numa vestal de intensa combustão sexual. na frente das câmeras.
O OUTRO SIODMAK

Curt Siodmak, irmão do notável Robert, ficou famoso pelos excelentes livros de ficção científica (alguns premonitórios) que escreveu nos 50. Os dois irmãos, que sairam da Alemanha por discordarem do nazismo, foram trabalhar na Inglaterra e posteriormente nos Estados Unidos.
Um mestre na literatura fantástica Curt, ao contrário do irmão Robert, demonstrou total falta de competência para a gramática do cinema. A questão é que duas de suas tosquices fílmicas foram feitas no Bra(z)il: a sandice primitiva "Curuçu, o Terror do Amazonas" e a estultice colorida "Escravo do Amor das Amazonas" (tagline: "Fantastic orgies of Queen Conori!"). O que levou o inventivo Curt a investir o suor e seu rico imaginário nestas duas besteiras dignas da erudição de um pirralho de cinco anos é uma incógnita. Os dois filmes possuem ilustres personalidades do nosso cinema atuando como coadjuvantes: Tom Payne, John Herbert, Ana Maria Nabuco e Luz del Fuego.
Sabe-se que Antonioni também sonhava fazer um filme no rio Amazonas; quem conheceu o roteiro (Rubem Biáfora foi um deles) afirma que parecia inspirado em Siodmak. Permanece a impressão de que Werner Herzog foi uma excessão entre os "infeitiçados pelo inferno verde".
Como se faz mister na imensa Cinemateca Virtual, a aferição de filmes péssimos também faz parte da prática prospectiva. "Curucu, Beast of the Amazon" (1956) é uma preciosidade nos torrents disponíveis. Tem um cara na Patagônia e outro nos confins do Arizona que resolveram compartilhar sua relíquia. Eu mesmo entrei no fim de uma fila de 245 fanáticos. Estou há um mês e meio esperando terminar a contagem de 397,26 megabytes de arquivo AVI (o que faz prever uma qualidade de som e imagem dignas de um radinho Spica). Não importa, não perco de maneira nenhum a chance de poder rever uma das seqüências mais bizarras da história: a mocinha está morrendo de sede no meio da mata amazônica (!?!?) quando o herói colhe uma enorme jaca de uma árvore frondosa, corta-a pela metade com seu enorme facão, e dá para a mocinha beber o suculento suco que verte de seu interior (!?!?).
No mais, a avaliação de um leitor do IMDB diz tudo: "The monster in this one is easily the most ridiculous and absurd thing ever put on screen (there's no way to describe it, you just have to see it).".
MAIS UM LONGA BRASILEIRO DE HORROR NO PRELO
Vale a pena assistir o making-of do longa metragem MANGUE NEGRO, que está sendo rodado no Espírito Santo, por Rodrigo Aragão. Pelas imagens mostradas no You Tube é possível prever um autêntico e talentoso discípulo de George A. Romero. http://br.youtube.com/watch?v=JAT4OvYEB70
Escrito por Carlos Reichenbach às 17h30
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