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Pérolas
NOTA RÁPIDA SOBRE DOIS FILMES RECÉM-DESCOBERTOS
Em vias de me ausentar de São Paulo, em virtude de exibições especiais de FALSA LOURA em outros Estados, não consegui me furtar de comentar o encantamento da descoberta de dois filmes magistrais, de dois grandes diretores no final de suas longas e brilhantes carreiras: Raoul Walsh e Jacques Tourneur. Viva o compartilhamento! Estou me referindo a "Appointment in Honduras" (Almas Selvagens - 1953) e "The Revolt of Mamie Stover" (A Descarada- 1956). Sem nenhum favor, as duas melhores películas que vi neste ano, até agora! O curioso é que ambos os filmes começam a bordo de um navio, em alto-mar, com seqüências inteiras - deslumbrantes - filmadas em estúdio. Que Jacques Tourneur adorava reproduzir tudo em estúdio (e dominava o expediente como ninguém - vide o canavial de "A Morta-Viva") eu já sabia; o que fascina em "Almas Selvagens" é que o cenário é absolutamente fake, e Tourneur refina ao zênite o aproveitamento absoluto da "pintura" do diretor de fotografia Joseph F. Biroc, e a inventividade do diretor de arte Charles D. Hall e seu set designer, Alfred E. Spencer.

Em "A Descarada", de Raoul Walsh, ficamos seriamente na dúvida se as cenas a bordo foram rodados com back-projection. O fotógrafo Leo Tover fez milagres com as cores e a extensão do Cinemascope (o 2.35 : 1). Ambos os filmes se destacam de sua época pelo amoralismo de seus protagonistas. O plano inicial de Jane Russell, no filme de Walsh, é digno de antologia. Mais uma vez, miss Russell encarna uma jovem predestinada à vida fácil. Ainda bem, que os produtores não conseguiram contratar Marilyn Monroe para o papel; já que a loira, no quesito vulgaridade, não chega aos pés da insuspeitada dignidade que a morena acrescentava ao fulgor uterino de suas desajustadas. Correndo o risco da misogenia é possível afirmar que Marilyn era (na tela) o objeto descartável do desejo, sempre disponível; Jane, era o próprio desejo, a "maitresse", pronta para chutar os homens submissos.

Em "Almas Selvagens", Glenn Ford é um mercenário que presta serviços para os contra-revolucionários hondurenhos. Um homem rígido, que se filia a quatro prisioneiros mal encarados da Nicarágua para executar o serviço, enganado-os. É óbvio, que o herói está a serviços dos americanos para trazer de volta ao poder um presidente aliado. Mas nada disso importa, diante da selva "inventada" por Tourneur, no quintal do estúdio, com as cores vigorosas concebidas pelo seu fotógrafo. Coisa de gênio. Por estas e outras, um crítico do Libération (Louis Skorecki) descreveu Tourneur - com todas as letras - como o maior diretor da história do cinema. Eu prometi que seriam poucas palavras. Fica aqui registrada a oportunidade de ter conhecido estas duas pérolas esquecidas, graças a internet, no exato momento em que me encontrava num sério impasse de meu novo roteiro, "O Mar das Mulheres Finais". Tenho certeza que as lições emprestadas de Walsh e Tourneur estarão presentes (de alguma forma) em meu próximo filme.
Escrito por Carlos Reichenbach às 00h37
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Filmes de Invenção
EQUIPE EXIBE JAIRO FERREIRA E MEU NOME É DINDI
Jairo Ferreira e Veronica Krimann (1968)
O Cineclube Equipe, projeto sem fins lucrativos do Instituto Equipe Cultura e Cidadania, realiza neste sábado 12 de abril de 2008 a terceira sessão do Panorama Experiências do Cinema. O tema da sessão é o cinema de invenção brasileiro dos anos 1970: serão exibidos, a partir das 16h, o curta O Guru e os Guris e o longa O Insigne Ficante, ambos do cineasta e crítico Jairo Ferreira. Às 18h, haverá debate com o professor da UFSCAR Arthur Autran e com o crítico Juliano Tosi. Serão disponibilizados livros para consulta e murais informativos sobre o tema, além de venda de apostilas com textos de apoio ao panorama e sorteio de livro. A sessão custa R$4,00 e acontece no auditório do Colégio Equipe (R. Bento Frias, 223 - Pinheiros, São Paulo/ tel. 3814-2188). Os debatedores Arthur Autran é doutor em cinema pela UNICAMP, professor da UFSCAR, montador e possui experiência nos estudos de cinema de invenção. Juliano Tosi é crítico de cinema, pesquisador, animador cultural e mantém um blogue dedicado à obra de Jairo Ferreira (http://cinema-de-invencao.blogspot.com/). Cineclubinho Equipe Mais cedo, no mesmo dia, às 10h30, o Cineclubinho Equipe exibirá O Mágico de Oz (2000) de Victor Fleming. Após a projeção, será realizado sorteio de livro e oficina de criação de personagens com sucata. (Ingresso: R$2,00) Panorama Experiências do Cinema O ciclo se propõe a estudar o(s) cinema(s) experimental(is), confrontando diferentes pontos de vista sobre o experimentalismo e as vanguardas. Como não há "um" cinema experimental, a programação foi pensada de maneira não cronológica (para excluir a idéia de progressão, história uma), pautada em sessões que podem se contradizer entre si, pois estamos nos debruçando sobre algo que não é certo. A idéia, mais do que nunca, é que os espectadores acompanhem todas as sessões e desenvolvam idéias a partir dessa questão de um ponto de vista amplo e o objetivo do panorama é colocar em questão a relação dos espectadores com os filmes e destes com a vida. As outras sessões serão: em maio, o cinema de Jerry Lewis; e em junho, cinema experimental contemporâneo: Apichatpong Weerasethakul. Os debates contarão com nomes como Felipe Bragança, Francis Vogner dos Reis e Paulo Santos Lima. Sessão extra gratuita Na sexta-feira 11 de abril de 2008, haverá sessão gratuita do Cineclube Equipe com a exibição às 14h do curta Almas Passantes: Um encontro com João do Rio e Charles Baudelaire, de Cléber Eduardo e Ilana Feldman e pré-estréia do longa Meu nome é Dindi, de Bruno Safadi (vencedor do prêmio da crítica na última Mostra de Tiradentes). Às 16h, haverá debate com a atriz do longa Djin Sganzerla e com os diretores do curta. A sessão acontece no auditório do Colégio Equipe (R. Bento Frias, 223 - Pinheiros, São Paulo/ tel. 3814-2188). Para mais informações e programação completa do panorama, visite: http://www.cineclubeequipe.blogger.com.br
Escrito por Carlos Reichenbach às 14h43
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